A consultoria TF Agroeconômica emitiu alerta para que produtores de soja adotem cautela nas negociações, mesmo diante de margens de lucro atualmente atrativas, em torno de 26,30%. Tradicionalmente defensora de vendas antecipadas, a empresa mudou sua orientação devido ao cenário internacional mais instável, especialmente após os dados do último relatório do USDA, que indicam estoques finais globais bastante reduzidos.
De acordo com os analistas, há espaço para valorização dos preços tanto na safra vigente — que já opera nos patamares superiores do canal de tendência — quanto na próxima, sustentada por fundamentos majoritariamente positivos.
Entre os fatores que sustentam o movimento de alta estão os impactos climáticos na Argentina, onde o excesso de chuvas ameaça reduzir a produção entre 1,5 e 2 milhões de toneladas, afetando volume e qualidade. Além disso, o mercado de óleo de soja segue firme, impulsionado pela prorrogação dos créditos fiscais destinados ao setor de biocombustíveis nos Estados Unidos. As exportações semanais norte-americanas também surpreenderam positivamente, puxadas principalmente pela forte demanda do México.
No entanto, o mercado também observa elementos que podem conter os avanços nos preços. O plantio nos Estados Unidos avança em ritmo acelerado, com 66% da área já cultivada, acima da média histórica, o que gera certo alívio. O Brasil mantém o ritmo forte nas exportações: segundo dados da Associação Nacional dos Exportadores de Cereais (ANEC), a projeção para maio foi elevada de 14,27 para 14,52 milhões de toneladas, superando os volumes registrados em abril e no mesmo mês do ano passado.
Outro ponto de atenção é o cenário geopolítico. A escalada nas tensões comerciais liderada por Donald Trump contra a União Europeia — com a ameaça de tarifas de até 50% a partir de 1º de junho — adiciona mais um fator de incerteza ao mercado global.
TF Agroeconômica



