Banco Central desenvolve novo modelo para aliviar impacto da inflação no crédito imobiliário corrigido pelo IPCA

O Banco Central está avançando na criação de um novo formato de amortização para financiamentos imobiliários corrigidos pelo IPCA, com o objetivo de tornar as parcelas mais previsíveis e sustentáveis, segundo apuração do Estadão/Broadcast 

Essa modalidade, lançada em 2019, perdeu atratividade durante os picos de inflação, quando mutuários sofreram aumentos expressivos nas prestações, o que levou a um aumento na inadimplência e migração em massa para linhas pré-fixadas ou com correção pela TR — índice que praticamente não oscila.

A mudança em análise prevê que as altas do IPCA sejam incorporadas ao saldo devedor em vez de serem somadas diretamente no valor da parcela. Com isso, o impacto seria diluído ao longo do contrato, em vez de pressionar cada mensalidade.

Segundo fontes do setor bancário envolvidas nas discussões, o objetivo é preservar a atratividade da linha IPCA, que permite aos bancos securitizarem os contratos e buscar recursos no mercado secundário — estratégia que não funciona com financiamentos corrigidos pela TR, menos interessantes para investidores.

O BC pretende, com essa medida e outros possíveis ajustes, compensar o encolhimento de recursos oriundos da caderneta de poupança — que enfrenta saídas líquidas de R$ 248 bilhões nos últimos quatro anos — e garantir o financiamento habitacional via fontes diversificadas.

Na recente Febraban Tech, o presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, anunciou que um novo modelo de crédito imobiliário será apresentado em breve, baseado em fontes de funding de mercado, enquanto a Caixa também defendeu soluções estruturais para manter o acesso ao crédito 

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