Petróleo salta quase 3 % com escalada entre Israel e Irã e temor de envolvimento dos EUA

Os preços do petróleo encerraram a quinta‑feira (19) em forte alta, refletindo a intensificação do conflito entre Israel e Irã e a incerteza sobre um eventual apoio militar dos Estados Unidos.

  • Brent para agosto avançou US$ 2,15 ( +2,8 %), fechando a US$ 78,85 por barril, maior patamar desde 22 de janeiro.
  • WTI para julho subiu US$ 2,06 ( +2,7 %), a US$ 77,20 no fim da tarde.

A sessão teve liquidez reduzida pelo feriado federal nos EUA, mas a tensão no Oriente Médio manteve os investidores em busca de proteção. Israel bombardeou instalações nucleares iranianas, e Teerã retaliou com mísseis e drones após ataque a um hospital israelense. Sem sinais de recuo, o premiê Benjamin Netanyahu prometeu fazer o Irã “pagar o preço total”, enquanto o regime iraniano advertiu contra a participação de “terceiros” no embate.

Analistas veem risco crescente para o fornecimento global. O Irã, terceiro maior produtor da Opep, extrai cerca de 3,3 milhões de barris por dia, e pelo Estreito de Ormuz — rota estratégica ao sul do país — trafegam de 18 a 21 milhões de bpd em petróleo e derivados. Qualquer interrupção nesse corredor elevaria os preços a níveis não vistos em anos.

Um relatório do J.P. Morgan projeta que um cenário extremo, com expansão das hostilidades e fechamento do Estreito, levaria o Brent a US$ 120 – 130 por barril. Mesmo num desfecho menos dramático, especialistas avaliam que a commodity dificilmente retornará à faixa de US$ 60 registrada há um mês.

Com o mercado cada vez mais sensível ao risco geopolítico, operadores monitoram de perto os movimentos diplomáticos em Washington, onde a Casa Branca deverá decidir “nas próximas semanas” se entrará diretamente no conflito. Até lá, a volatilidade tende a permanecer elevada.

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