Banco Mundial: Brasil precisa de ajuste fiscal de 3% do PIB para estabilizar dívida pública

O Banco Mundial defendeu nesta quinta-feira (26) que o Brasil precisa implementar um ajuste fiscal equivalente a 3% do Produto Interno Bruto (PIB) de 2024 para estabilizar a dívida pública e assegurar a retomada de superávits primários.

O levantamento sugere que o país deve alcançar superávits entre 2% e 3% do PIB para conter o ritmo de endividamento e resguardar recursos para investimentos em áreas prioritárias. Ameaças à estabilidade orçamentária incluem despesas obrigatórias crescentes, como Previdência, benefícios sociais e salários do setor público.

Principais recomendações do Banco Mundial

  • Controle de gastos: desvinculação de benefícios sociais ao salário mínimo, reformas da Previdência (inclusive militar) e revisão de salários iniciais do funcionalismo.
  • Reforma tributária e ambiental: ampliar a base do Imposto de Renda, eliminar isenções, avançar na tributação ambiental (carbono, ITR) e reduzir subsídios a combustíveis fósseis 
  • Políticas fiscais verdes: aumentar receita e, simultaneamente, avançar em mitigação ambiental ao precificar carbono e vincular tributos à sustentabilidade 

Contexto e urgência

O relatório destaca que o Brasil acumula déficits primários desde 2013, elevando a relação dívida/PIB de cerca de 54% para 76,5% em 2024. Com a promulgação do novo arcabouço fiscal, o risco de crédito cresceu, reforçando a necessidade de medidas estruturais. Sem ajustes no curto prazo, pressões por juros maiores, inflação e restrições monetárias podem se intensificar. Segundo o economista sênior Cornelius Fleischhaker, do Banco Mundial, há janelas para reformas estruturais a partir de 2027, mas é essencial iniciar ações pontuais — com impacto de longo prazo — já a partir de 2026 Um exemplo é vincular benefícios sociais ao rendimento mínimo, reduzindo a escalada de despesas obrigatórias.

O relatório reforça que o ajuste fiscal não é apenas necessário, mas também urgente:
O Brasil precisa unir controle de gastos, reforma tributária e políticas ambientais para restabelecer credibilidade e abrir espaço para investimentos.

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