Em uma tentativa de reverter o quadro político, o governo federal empenhou entre segunda (23) e quarta-feira (25) R$ 1,15 bilhão em emendas parlamentares. O valor elevou o total de recursos destinados a deputados e senadores para R$ 1,9 bilhão em 2025 — até então, o montante vigorava abaixo das expectativas dos congressistas.
Apesar de liberar quase o dobro do que havia sido investido anteriormente, a medida não foi suficiente para amainar a insatisfação no Congresso: na quarta-feira (25), a Câmara aprovou com ampla maioria o projeto que derruba o decreto presidencial que elevou o IOF, por 383 votos a favor e 98 contra. O Senado confirmou a decisão em votação simbólica.
A derrubada do decreto marcou a primeira derrota desse tipo nos últimos 33 anos, consolidando uma crise de confiança entre o Legislativo e o Planalto.
O aumento do IOF fazia parte de uma estratégia do governo para cumprir as metas do novo regime fiscal. A estimativa original era elevar em até R$ 10 bilhões a arrecadação em 2025, algo agora inviabilizado. Com isso, o Ministério da Fazenda deve acionar novo contingenciamento — avalia-se a possibilidade de bloqueio adicional de até R$ 12 bilhões, o que pode afetar investimentos públicos e emendas.
Parlamentares ouvidos pela imprensa relataram que, mesmo após a liberação acelerada de emendas, a medida foi vista como tímida diante da expectativa anual, gerando reação imediata no plenário.
O episódio destaca a crescente tensão entre o governo e o Congresso, especialmente após tentativas de repasse de desgaste político, como o aumento das tarifas de energia, que também geraram desconforto entre parlamentares.



