Em maio, a dívida bruta do Governo Geral alcançou 76,1% do PIB, equivalente a aproximadamente R$ 9,26 trilhões, com aumento de 0,2 ponto percentual em relação a abril . Apesar dessa alta moderada, o cenário chama a atenção no Sul do Brasil, onde estados como Rio Grande do Sul, Santa Catarina e Paraná podem sentir impactos mais fortes em seus orçamentos por causa do aperto fiscal.
O crescimento da dívida foi impulsionado principalmente pelos encargos com juros, que ampliaram a carga pública em 0,8 ponto percentual do PIB, enquanto o aumento do PIB nominal ajudou a mitigar o avanço, reduzindo-o em 0,6 ponto percentual. No total, o Brasil registrou um déficit primário de R$ 33,7 bilhões, mas melhorou significativamente em relação ao mesmo período do ano anterior
Para os estados brasileiros, especialmente os da Região Sul, o crescimento da dívida federal pode resultar em menos flexibilidade para repasses e empréstimos, além de encarecer o custo das operações financeiras. Isso pode afetar investimentos em infraestrutura, saúde e segurança pública, setores já pressionados por déficits regionais crescentes.
No Rio Grande do Sul, por exemplo, as finanças já enfrentam desafios históricos, o que torna essencial cautela na gestão orçamentária diante desse cenário fiscal nacional mais restritivo. A alta da Selic para 15% eleva ainda o custo de captação e refinanciamento de dívidas estaduais, exigindo atenção redobrada na elaboração das próximas leis orçamentárias.
Em suma, a leve elevação da dívida bruta em maio — embora menos expressiva que o previsto — reforça a urgência de medidas de responsabilidade fiscal. No Sul, governos estaduais e municipais devem ajustar planos e gastos, garantindo equilíbrio financeiro e capacidade de investimento mesmo em meio à crescente pressão sobre as contas públicas.
Panorama econômico regional
A continuidade da alta da Selic (15%) ajuda a conter a inflação, mas encarece contratos e possíveis dívidas estaduais. Estados do Sul, com sua forte dependência de repasses federais e investimento em infraestrutura agrícola, precisam monitorar de perto qualquer sinal de corte orçamentário. O desempenho das contas públicas federais, acima do esperado, pode abrir brecha para maior controle sobre gastos estaduais — sobretudo em segurança, educação e transportes.



