Fabricantes de maquinário agrícola intensificam a aposta em motores sustentáveis, com destaque para modelos a etanol, biometano, eletricidade e gás natural. A busca por soluções mais limpas reflete a demanda por redução de custos e atendimento a exigências ambientais dos mercados internacionais.
Tratores movidos a etanol passaram a figurar com destaque nas feiras do setor. A John Deere testa no Brasil seu modelo 8R com motor a etanol, inicialmente voltado à cultura de cana e grãos, com desempenho similar ao diesel e menor pegada de carbono, segundo a fabricante. Já a nacional Grunner trabalha em um protótipo que dispensará o uso de ARLA, enquanto a multinacional Cummins apresentou o motor conceitual B6.7, operando com etanol hidratado puro.
Na colheita da cana, a Case IH e a Usina São Martinho avançam nos testes de uma colhedora movida a etanol, em parceria com a FPT Industrial. O protótipo, que se mostrou promissor em bancada, está em fase de testes de campo desde o fim da safra passada.
Além do etanol, modelos elétricos e movidos a biometano também ganham espaço. A New Holland apresentou um trator elétrico autônomo e outros equipados com sistema a gás, usando biometano produzido em suinoculturas. Serão, no entanto, necessários ajustes e testes adicionais para ampliar a viabilidade desses equipamentos .
O agronegócio — responsável por quase 29% da oferta energética renovável nacional, sendo 60% dessa fatia originária de biomassa da cana — demonstra que o Brasil ainda lidera em transição energética no campo. Entre os fabricantes, a meta é clara: modelos mais eficientes e tecnológicos, que reduzam o consumo de diesel (em média 10%) e as emissões, garantindo melhor competitividade e atenção ao mercado global .
Esse movimento demonstra uma aceleração na adoção de energias limpas no setor agrícola, combinando inovação tecnológica com sustentabilidade ambiental e econômica.



