Em maio, o preço pago ao produtor de leite no Brasil recuou 3,9% em relação a abril, fechando em R$ 2,64 por litro. Em termos reais, frente ao ano anterior, a queda foi ainda mais acentuada, de 7,4%.
O recuo decorre de duas tendências opostas no setor: a oferta cresceu — o volume captado nas fazendas subiu 1,1% na passagem de abril para maio — e a demanda enfraqueceu, sobretudo pelos cortes no consumo de derivados lácteos. A combinação impactou diretamente os preços: produtos como queijo muçarela e leite em pó pressionam o mercado, enquanto o leite UHT se mantém estável, amparado pela redução de estoques .
Outro fator relevante é a redução dos custos de produção, especialmente no que diz respeito à alimentação do rebanho. Insumos mais baratos ajudaram a aliviar o Custo Operacional Efetivo (COE), que caiu 0,7%, incentivando a produção no campo mesmo diante da desaceleração do consumo .
Para a cadeia produtiva e os produtores, o segundo mês consecutivo de queda nos preços é motivo de preocupação. Como observado na região Sul, onde a atividade leiteira gera renda significativa, esse cenário torna difícil equilibrar custos e manter a competitividade.
O próximo passo do setor será buscar equilíbrio entre oferta e demanda, além de iniciativas de maior eficiência e inovação produtiva. A evolução da demanda por lácteos e eventual intervenção de políticas públicas serão determinantes para a recuperação das cotações ao longo de 2025.
Este panorama mostra como o excesso de oferta e a economia de mercado têm pressão direta sobre os produtores de leite, com destaque para os desafios enfrentados no Sul do país.



