Alta de juros no Plano Safra 2025/2026 gera apreensão no setor de carnes e pode comprometer expansão da produção

A elevação das taxas de juros no Plano Safra 2025/2026 acendeu o sinal de alerta entre representantes do setor de proteínas animais. Embora o governo tenha anunciado um volume recorde de R$ 516,2 bilhões para financiar a agropecuária nacional, as condições de crédito mais caras preocupam produtores e entidades do setor, que veem risco de desaceleração nos investimentos em produção e tecnologia no campo.

O setor de carnes — especialmente suinocultura, avicultura e bovinocultura de corte e leite — destaca que os juros mais altos podem inviabilizar projetos de ampliação de granjas, melhorias sanitárias, modernização de equipamentos e práticas sustentáveis. A taxa para médios produtores (Pronamp) passou de 8% para 10,5% ao ano, enquanto grandes produtores poderão pagar até 12% ao ano.

Em nota, a Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA) afirmou que o aumento das taxas “não condiz com o momento vivido pelo setor produtivo, que lida com margens apertadas, desafios climáticos e flutuações de mercado”. A entidade também destaca que, com o crédito mais caro, muitos produtores podem postergar ou cancelar investimentos, comprometendo o desempenho futuro da cadeia.

Apesar do esforço do governo em destinar mais recursos ao setor e estimular práticas de baixo carbono por meio do Programa ABC+, lideranças rurais reforçam que a acessibilidade ao crédito é tão importante quanto o volume ofertado.

A expectativa agora é de que o governo abra diálogo com representantes do agro para avaliar ajustes nas condições de financiamento, de modo a garantir que os recursos do Plano Safra se traduzam, de fato, em produtividade, sustentabilidade e geração de renda no campo.

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