O governo brasileiro admitiu a possibilidade de reduzir a Tarifa Externa Comum (TEC) do Mercosul como forma de preservar a unidade do bloco, que enfrenta dificuldades para avançar em acordos comerciais e pressões por modernização. A proposta será discutida durante a Cúpula do Mercosul, que ocorre esta semana em Assunção, no Paraguai, com a participação do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
A ideia de flexibilizar as tarifas é defendida por Brasil e Uruguai, enquanto Argentina e Paraguai demonstram resistência. A proposta em debate prevê uma redução de até 20% na TEC, dividida em duas etapas de 10%, com foco em tornar o bloco mais competitivo e atrativo para novas parcerias comerciais.
Apesar da disposição política, o governo brasileiro teme os impactos que a medida pode causar à indústria nacional. Representantes do setor, como a Confederação Nacional da Indústria (CNI), alertam que uma abertura comercial ampla e sem salvaguardas pode provocar desindustrialização, aumento das importações e perda de empregos em setores estratégicos.
Para mitigar os riscos, o governo estuda incluir travas e mecanismos de proteção para segmentos mais vulneráveis da economia. A intenção é equilibrar a modernização do bloco com a preservação da base industrial brasileira, evitando que a abertura resulte em prejuízos econômicos irreversíveis.
A eventual redução da TEC representa uma das decisões mais delicadas dos últimos anos no Mercosul. O desfecho das negociações em Assunção será determinante para o futuro do bloco e para a definição do papel do Brasil na política comercial regional e global.



