O dólar comercial encerrou o primeiro semestre de 2025 com uma desvalorização de mais de 14% frente ao real, registrando o pior desempenho para o período desde 1971, início da série histórica do Banco Central. A moeda norte-americana caiu de R$ 4,84 no fim de 2024 para R$ 4,14 em junho, puxada por um conjunto de fatores que envolvem o cenário doméstico e internacional.
Segundo analistas de mercado, o desempenho do câmbio reflete, principalmente, a forte entrada de capital estrangeiro no país e um movimento técnico de desmonte de posições compradas em dólar no mercado futuro. O Brasil tem se beneficiado do diferencial de juros em relação aos países desenvolvidos — mesmo com o ciclo de cortes da taxa Selic, o juro real brasileiro ainda é atrativo — e da valorização das commodities, o que aumenta o fluxo de recursos externos.
Além disso, a melhora na percepção de risco do país, somada a um ambiente fiscal mais previsível após a aprovação de medidas econômicas pelo Congresso, contribuiu para fortalecer o real.
A valorização da moeda brasileira, porém, gera um efeito misto na economia. De um lado, pressiona exportadores e reduz a competitividade de produtos brasileiros no exterior. De outro, contribui para conter a inflação ao baratear produtos importados, o que pode facilitar decisões futuras do Banco Central sobre a política de juros.
O movimento surpreende pela intensidade e marca uma virada em relação aos anos anteriores, quando o dólar vinha operando em patamares elevados devido à instabilidade política e econômica. Ainda assim, especialistas alertam que a tendência pode se reverter, especialmente diante das incertezas do cenário global, como os desdobramentos da política monetária dos Estados Unidos e a disputa comercial entre grandes economias.
O desempenho do câmbio será um dos pontos-chave a serem monitorados no segundo semestre, com potencial de influenciar desde a inflação até o crescimento econômico.



