Inflação ultrapassa meta do Banco Central pela primeira vez, segundo IPCA

A inflação oficial do país, medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), foi de 0,24% em junho, segundo dados divulgados pelo IBGE. Embora represente uma desaceleração em relação aos 0,26% registrados em maio, o resultado superou as expectativas do mercado, que projetava uma alta de 0,20% para o mês. Este foi o maior índice para um mês de junho desde 2022.

No acumulado de 12 meses, a inflação chegou a 5,35%, ultrapassando a meta contínua de 3% com margem de tolerância de 1,5 ponto percentual — ou seja, um teto de 4,5%. Essa é a primeira vez que o novo regime de metas contínuas do Banco Central, adotado há cerca de um ano, é descumprido. A meta considera o intervalo de 12 meses encerrados em qualquer mês do ano, e não mais apenas o índice fechado em dezembro.

Com o estouro da meta, o presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, será obrigado a enviar uma carta ao ministro da Fazenda, Fernando Haddad, explicando as razões para o descumprimento da meta inflacionária, conforme determina o regime de metas vigente.

O grupo habitação foi um dos principais responsáveis pela pressão inflacionária no mês, com destaque para o aumento de 1,19% na energia elétrica residencial. Em contrapartida, o grupo alimentação e bebidas registrou queda de 0,47%, puxado pelas reduções nos preços do ovo de galinha (–6,58%), arroz (–3,23%) e frutas (–2,22%).

Mesmo com a desaceleração mensal, o avanço da inflação em ritmo superior ao limite estabelecido preocupa autoridades econômicas e deve influenciar as próximas decisões de política monetária. A taxa Selic foi mantida em 15% ao ano na última reunião do Copom, diante da pressão persistente nos preços e do cenário fiscal incerto.

plugins premium WordPress