O presidente da Federação das Indústrias do Rio Grande do Sul (Fiergs), Claudio Bier, fez um alerta sobre os efeitos da proposta de sobretaxação de 50% imposta pelos Estados Unidos sobre produtos brasileiros exportados. Em entrevista, Bier destacou que muitas indústrias do estado correm risco de fechar caso a medida seja mantida.
Ele ressaltou que algumas empresas gaúchas destinam mais de 95% de sua produção ao mercado americano, o que as torna particularmente vulneráveis às novas tarifas. “Temos 200 anos de relações comerciais com os EUA e não podemos perdê-la de uma hora para a outra”, afirmou Bier, defendendo uma atuação conjunta da indústria gaúcha e nacional para mediação do conflito.
Para Bier, a imposição das tarifas configura um claro cenário de perda bilateral: o Brasil deixa de vender, mas os Estados Unidos também perdem o acesso a matérias-primas brasileiras. Ele destacou que os EUA continuam consumindo grande volume de produtos agrícolas e industriais do Brasil, tornando o impacto desigual comercialmente e economicamente .
A Fiergs buscou articulação junto à Confederação Nacional da Indústria (CNI) e outras federações estaduais com o objetivo de negociar com os EUA uma reversão ou flexibilização das tarifas. A proposta é que o diálogo industrial preceda medidas mais agressivas, evitando prejuízos sociais e financeiros graves à economia do estado.
Bier também salientou que não há fundamentação econômica para a imposição das tarifas, que colocam em risco cerca de 10 mil empresas brasileiras que exportam para os Estados Unidos. Ele reforçou que o foco deve ser no diálogo pragmático e na conciliação, com a indústria assumindo papel de intermediadora junto aos governos.



