Soja e milho avançam na Bolsa, mas mercados físicos seguem travados

Na Bolsa de Chicago, o contrato de soja para agosto fechou em alta, subindo 1,83% (US$ 18,25), a US$ 1.013,25 por bushel. O avanço foi impulsionado por compras técnicas, rumores de demanda internacional — especialmente da China — e expectativas de exportação de farelo para a Indonésia.

No Brasil, a comercialização da soja avançou no Rio Grande do Sul, onde cerca de 53% da safra de 15 milhões de toneladas já está vendida, com preços de R$ 137,50 no porto e R$ 131,00 no interior. Em Panambi, no entanto, os preços recuaram para R$ 121,00. Em Santa Catarina, os negócios permanecem lentos devido à falta de espaço de armazenamento, com soja a R$ 136,30 no porto. No Paraná, a valorização dos embarques (US$ 11,1 bilhões no semestre) não foi suficiente para conter a pressão da oferta, com preços variando de R$ 120,49 a R$ 135,28. Já em Mato Grosso do Sul e Mato Grosso, apesar do aumento da produção, a queda na exportação e o estresse hídrico empurram os preços para baixo, oscilando entre R$ 108 e R$ 120 nos principais polos.

Também na B3, os contratos futuros de milho (setembro, novembro e janeiro) registraram ganhos, fechando em R$ 64,03 (+R$ 0,58), R$ 67,57 (+R$ 0,60) e R$ 71,55 (+R$ 0,25) por saca. A alta foi sustentada pelo movimento de Chicago, valorização do dólar e expectativa de exportações brasileiras em julho, projetadas em 4,60 milhões de toneladas, ante 4,34 milhões estimadas anteriormente.

Apesar disso, os mercados físicos regionais permanecem paralisados. No Rio Grande do Sul, a baixa liquidez e a dependência de grãos vindos do Centro-Oeste e Paraguai limitam as transações, com preços entre R$ 66 e R$ 70 por saca e cerca de 90% da safra 2024/25 já comercializada. Em Santa Catarina, a contradição entre cotações (R$ 71) e expectativas dos produtores travou os negócios, apesar da produtividade próxima a 10 toneladas por hectare. No Paraná, com 40% da área colhida, há preocupação com qualidade e geadas; os preços giram em torno de R$ 76,00, mas sem fechamento de negócios. Em Mato Grosso do Sul, apenas 10% da segunda safra foi colhida, e o mercado segue lento, com preços entre R$ 45 e R$ 61 e cerca de 79% das lavouras em condição satisfatória.

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