“Acreditamos que uma empresa longeva e saudável passa pelas pessoas que fazem parte dela “

No “Conversa de Valor” deste sábado, nosso destaque é Verônica Bertagnolli, diretora comercial da Sementes Butiá, empresa que leva no nome a identidade regional e, na essência, um compromisso com a inovação, a sustentabilidade e o desenvolvimento do agronegócio. À frente de uma organização familiar com presença nacional e 15 mil hectares de produção própria, Verônica compartilha sua trajetória, os desafios da liderança feminina no campo e o legado que constrói com base em valores sólidos e visão de futuro. 

ValorPF-A Sementes Butiá se destaca pela inovação e sustentabilidade no agronegócio regional. Como esses pilares têm impulsionado os resultados da empresa e contribuído para o fortalecimento econômico de Passo Fundo e da região?

Verônica Bertagnolli (VB)-A agricultura, na última década, deu um salto gigante e se coloca hoje entre os setores mais avançados da economia brasileira. Isso se deve muito às inovações tecnológicas do setor e à modernização da agricultura como um todo. E esta área tem passado por várias atualizações; aquilo que achávamos ser conclusivo na agricultura, hoje,  passa por uma nova visão. Muitos paradigmas foram quebrados e hoje se entende que é uma ciência viva, na qual podemos ter direcionamentos específicos em cada região do Brasil.

Na Butiá, entendemos isso desde cedo. A inovação sempre foi um dos ativos que nos deixou na vanguarda do setor e respaldou o crescimento da empresa. Quando conseguimos juntar essas inovações com práticas sustentáveis, como a agricultura regenerativa, os resultados obtidos são fantásticos. 

Meu avô começou com trigo mecanizado na região em 1950. Nem maquinário nem conhecimento tínhamos de cultura em nossa região naquela época, mas ele buscou o que havia de melhor. Meu pai seguiu nessa busca, com a diversificação de culturas e com a cabanha de animais com a melhor genética disponível no mundo. Nos anos 80, fomos também pioneiros na implementação do plantio direto, rotação de culturas. Sempre buscando estar perto das instituições de pesquisa que desenvolviam novas tecnologias para o campo.

Acreditamos que inovação não é somente por ter equipamentos de ponta, tecnologia em maquinário e operações eficientes, mas pelo conjunto de ações que, muitas vezes, são simples de serem adotadas e têm resultados incríveis. Hoje, temos certeza de que os resultados obtidos em produtividade de nossas lavouras são fruto de práticas adotadas há décadas e que, com convicção, fomos mantendo e aprimorando por meio da nossa gente, que entende a importância e a necessidade da inovação e carrega isso como propósito. 

A Butiá busca práticas que visam à sustentabilidade do solo e à produção de sementes que expressem o máximo potencial produtivo, com foco na preservação do meio ambiente. Nem sempre com um resultado econômico rápido, mas que a cada safra, fazem a diferença. Nos últimos anos de estiagem no estado, por exemplo, os resultados mostram uma produtividade 40% acima da média do estado.

ValorPF-Como mulher à frente de uma empresa do agronegócio, um setor historicamente masculino, que desafios você enfrentou ao longo da sua trajetória e de que forma acredita que a liderança feminina pode transformar o ambiente corporativo?

VB-Para mim e para minhas irmãs, que também trabalham no setor, foi muito natural e tranquilo quando assumimos nosso espaço dentro da empresa. Nosso pai, Ronald, sempre fez questão de que aprendêssemos desde cedo o trabalho com o campo. Vivíamos o plantio, a colheita, as exposições e os tratos com os animais.

No início, não tinha consciência da dificuldade que uma mulher tem para se sobressair no mundo do agronegócio, pois não passamos por isso. Minha percepção mudou quando comecei a entender quão poucas éramos no meio e o quanto é difícil, principalmente para quem não tem esse acesso desde sempre, buscar espaço nesse meio.

Hoje também vejo que muita coisa mudou. Existem mais e mais mulheres buscando e conquistando um espaço que era predominantemente masculino. Dentro da nossa empresa, 30% dos nossos colaboradores são mulheres, e esse número só cresce — não por uma questão de gênero, mas sim por competência. 

O agronegócio mudou e paradigmas são quebrados diariamente. Ainda existe muito a ser conquistado, mas as novas gerações não têm mais essas limitações. E, como já falei antes, hoje, independentemente de gênero, só tem espaço quem busca estar sempre aprendendo e evoluindo junto com o setor.

ValorPF-Ao olhar para tudo o que já construiu com a Sementes Butiá, que legado espera deixar para as próximas gerações, dentro da empresa, do agronegócio e da própria comunidade de Passo Fundo?

VB-A Sementes Butiá, ao longo de sua trajetória, busca deixar um legado focado na sustentabilidade, inovação e responsabilidade social. A Butiá foi construída com muitas mãos. Meu avô Pedro e meu pai Ronald nos passaram valores que mantemos e que são inegociáveis. Valorizamos muito a transparência nas relações, pois acreditamos que uma empresa longeva e saudável passa pelas pessoas que fazem parte dela e com quem mantemos relações comerciais.

Desenvolver pessoas e criar um ambiente saudável para que isso reflita nos resultados obtidos é algo que nos esforçamos em manter. A Butiá sempre prezou por buscar inovação e trabalhar apoiada na pesquisa, com o objetivo de fomentar o desenvolvimento de tecnologias que melhorem a produtividade de forma sustentável e contribuam para o crescimento do agro nacional.

Além disso, dentro da comunidade de Passo Fundo, buscamos contribuir para o fortalecimento da economia local, por meio de parcerias e iniciativas que garantam a inclusão social e o desenvolvimento dos agricultores da região. Nossa família apostou na força desta terra e hoje, nós seguimos acreditando no potencial desta região.

Assim, posso dizer que o que almejo deixar para as próximas gerações é uma empresa que busque o equilíbrio entre produção, conservação e desenvolvimento social.

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