O dólar comercial fechou nesta quarta-feira (23) cotado a R$ 5,5230, em queda de 0,79%, alcançando o menor valor desde 9 de julho — dia em que o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou a intenção de aplicar tarifas de 50% sobre produtos brasileiros, a partir de 1º de agosto.
Após atingir máxima de R$ 5,5782 pela manhã, a moeda registrou sucessivas mínimas durante a tarde, com cotação mais baixa em R$ 5,5161, impulsionada por uma onda positiva nos mercados globais. O movimento foi reforçado pela perspectiva de novos acordos comerciais entre Estados Unidos, Japão e União Europeia.
Especialistas destacam que o acordo de Washington com o Japão e as negociações entre EUA e UE — que incluem a possibilidade de tarifação recíproca entre os blocos — estimularam o apetite por risco dos investidores, beneficiando moedas emergentes como o real. Gustavo Rostelato, economista da Armor Capital, ressaltou que o entendimento com o Japão, “uma casca grossa” devido à sua indústria automobilística, reabriu expectativas de novos pactos comerciais pelos EUA.
Nos Estados Unidos, o índice dólar (DXY) registrou mínima em meio à repercussão da aproximação de um acordo tarifário com a União Europeia, que fixaria alíquota de 15%, abaixo dos 30% cogitados anteriormente. Já o economista André Valério, do Inter, destacou que o real se beneficiou da queda do dólar em relação a moedas fortes e emergentes, além do carry trade impulsionado pela manutenção da taxa Selic a 15%.



