
No cenário empresarial gaúcho, poucos nomes são tão marcantes quanto o de Antônio Roso. De origens humildes, nascido na comunidade Linha 18 Roso, hoje pertencente a Vila Maria, Roso trilhou um caminho inspirador. Aos 17 anos, deixou a vida no interior para estudar e trabalhar em Porto Alegre, retornando a Marau com o espírito empreendedor que daria origem a grandes conquistas. Desde os primeiros negócios — como uma lancheria e um cinema — até a formação em Direito pela Universidade de Passo Fundo, ele consolidou uma trajetória movida por coragem, visão estratégica e inovação.
Fundador da metalúrgica Arcovila, que mais tarde se tornaria a Metasa S/A, Roso é hoje referência nacional em engenharia e estruturas metálicas. Visionário, expandiu seus horizontes e criou a Bsbios (hoje Be8), empresa pioneira em biocombustíveis, e participa de grandes empreendimentos como o Passo Fundo Shopping. Mais do que um empresário de sucesso, sua história é marcada pelo compromisso com o desenvolvimento social e regional, sendo ativo em entidades como FIERGS, CNI e programas de qualidade e inovação.
No Conversa de Valor, Roso nos fala um pouco sobre a trajetória que inspira gerações, simbolizando a força do trabalho, da determinação e da crença no empreendedorismo.
ValorPF – O senhor é um defensor do investimento na economia local. Que papel o empresariado deve assumir no desenvolvimento sustentável e na geração de oportunidades em Passo Fundo?
Antonio Roso (AR) – O empresariado, o empreendedor, que somos milhões no Brasil, de todos os tamanhos, desde o mais simples microempresário individual até a mais imponente empresa, grupo, conglomerado, todos nós somos empreendedores e todos nós temos uma responsabilidade muito grande na geração de empregos, no desenvolvimento, na dignidade, no sustento de milhões de famílias.
Na verdade, somos nós, os empresários, os empreendedores — e os trabalhadores juntos — que fazemos a máquina girar, que levamos a economia adiante, que pagamos os salários de governantes e representantes e do funcionalismo público em geral, que sustentamos todas as ações governamentais com nossos impostos. Então, a nossa responsabilidade é muito grande.
E não existe investimento, não existe trabalho que não seja desenvolvido em um município, em uma localidade. E que não seja tocado com a mão de obra, com a força de trabalho das pessoas daquele local. Então, precisamos olhar para as capacidades, para as vocações do local, do município, da região. Quais são as vocações que aquela região apresenta e quais são as demandas que podemos atender? Primeiro naquela localidade, depois na região, depois na macro-região, depois no estado, depois no país.
Então, por exemplo, temos aqui um agro forte; como uma indústria de metal atende esse agro? Que tipo de estrutura, que tipo de trabalho ela pode desenvolver para o agro? E ela pode ir além do agro, atendendo indústria, serviços, comércio, construção civil, infraestrutura? É preciso, portanto, mapear quais são as possibilidades produtivas com base na nossa mão de obra e quais são as possibilidades de demandas para que essa produção tenha saída. E quem lidera esses processos são os empresários, são os empreendedores. Junto, é claro, com toda a força de trabalho da nossa gente.
Valorpf – Que aprendizados mais marcaram a sua trajetória como empreendedor e que conselhos o senhor daria para quem está começando um negócio hoje?
AR – Eu diria que a necessidade de estar pronto para abraçar as oportunidades que se apresentam, que aparecem, foi o aprendizado mais importante na minha trajetória como empreendedor.
Nós trabalhamos todos os dias, temos negócios, estamos sempre em atividade, mas temos de estar prontos para responder às oportunidades e aos desafios. Às vezes a oportunidade é fazer alguma ampliação, adquirir alguma coisa e você não tem o dinheiro, mas você tem de estar pronto para ir atrás desse recurso, tem de estar pronto para solucionar essa necessidade financeira.
Às vezes, a oportunidade que aparece é a entrega de uma solução diferente para um cliente, uma solução desafiadora e que vai nos dar um bom retorno. Então, é necessário estar pronto para se adaptar, para preparar essa resposta, para preparar essa entrega diferente, essa inovação, esse produto que vai nos alavancar, nos fazer subir de patamar.
Enfim, o grande aprendizado que eu menciono é este, é estar pronto sempre — pronto para reagir nas adversidades e para agir corretamente nas oportunidades.
Valorpf – Na sua opinião, como as empresas podem ir além do lucro e se tornarem agentes de transformação social e econômica nas comunidades onde estão inseridas?
AR – Bom, na verdade, a melhor forma, o jeito mais objetivo e eficiente de uma empresa ser agente de transformação social e econômica nas suas comunidades é justamente funcionando bem, trabalhando bem, obtendo lucro, mantendo-se aberta e gerando emprego e renda.
O que é uma empresa? Ela é feita de pessoas unidas em torno do trabalho. E quem lidera esse processo é um empresário, alguém que está trabalhando sempre, é o primeiro a chegar, o último a sair. Ele mantém um negócio aberto, que dá emprego para uma, duas, dez, cem, mil pessoas; sustentando, alimentando, provendo dezenas, centenas, milhares de famílias.
“Somente” isso já é muita coisa. E esse “somente” entre aspas muito grandes, porque isso já é grandioso, já é uma ação social. É a ação social mais importante que existe. Não existe programa social melhor do que o emprego, porque, além de receber o valor para se sustentar e para e para se desenvolver e desenvolver sua família, a pessoa também recebe a dignidade de trabalhar.
Com mais empresas prósperas, temos mais empregos, mais renda, mais dignidade e, portanto, menor necessidade de programas sociais. Mas é claro que cada empresa pode ser um agente de transformação social, através de conscientização, de busca por desenvolver a comunidade, todos os envolvidos no negócio.



