
Na edição desta semana do Conversa de Valor, o destaque é para um nome que une conhecimento técnico, espírito empreendedor e compromisso com a sustentabilidade. Presidente das empresas do Grupo J2M — que inclui a FertiSystem, a Martins Agronegócios e a Solve —, ele também é um dos fundadores do Tecnoagro, polo de inovação voltado ao desenvolvimento de soluções para o agronegócio.
Com formação em Administração pela Universidade de Passo Fundo (UPF), especialização em Economia Rural e passagem pela Engenharia Mecânica, o convidado tem uma longa trajetória como gestor de pesquisa, desenvolvimento e inovação. É projetista mecânico com forte atuação em tecnologias para o plantio direto, fertilização de precisão e sustentabilidade no campo. Reconhecido pelo Governo do Rio Grande do Sul como agricultor conservacionista e produtor de água, ele conduz há anos iniciativas que conciliam alta performance no campo com respeito ao meio ambiente.
Nesta entrevista, ele compartilha os desafios enfrentados no desenvolvimento do sistema FertSystem — tecnologia que nasceu da busca por eficiência na aplicação de fertilizantes e que hoje é adotada por mais de 95% dos fabricantes de máquinas agrícolas do Brasil, com exportações para diversos países. O empresário também comenta a importância da inovação disruptiva, a evolução da agricultura rumo ao digital e a necessidade de pensar a sustentabilidade como eixo central dos negócios.
ValorPF – Quais foram os principais desafios enfrentados no início da FertSystem e como esses obstáculos contribuíram para o desenvolvimento da empresa?
Evandro Martins (EM) – Os obstáculos foram muito intensos, porque a grande dificuldade, de fato, era conseguir dosar o fertilizante. Trata-se de uma substância extremamente complexa, tanto em granulometria quanto em composição química. São elementos difíceis de translocar. Esse foi o nosso primeiro desafio.
O segundo desafio foi a questão da construtividade e da capacidade do equipamento de suportar a intensa ação química e abrasiva durante a translocação do fertilizante. Foi um processo bastante difícil, que exigiu muito trabalho em laboratório, embasado também na ciência. Contamos com o apoio de entidades de pesquisa, fabricantes de fertilizantes e produtores rurais, a fim de obter respaldo técnico e construir um conceito sólido.
Trouxemos então o conceito americano de manejo 4C da nutrição, que compreende: dose certa, local certo, fonte certa e época certa. A partir dele, nasceu o conceito da FertSystem.
ValorPF – De que maneira a FertSystem tem se adaptado às mudanças econômicas e tecnológicas para manter sua competitividade e gerar empregos de qualidade?
EM – A partir do conceito do sistema FertSystem, atrelamos o projeto à inovação disruptiva. Trabalhamos fortemente na questão das patentes, para resguardar nossa capacidade técnica de gerar os predicados que o produto oferece. Atualmente, temos 18 patentes, incluindo uma na União Europeia e uma, mais recentemente, nos Estados Unidos.
Isso nos proporcionou segurança para conduzir nossas atividades com solidez empresarial, garantindo que o produtor tenha retorno financeiro e durabilidade no equipamento, evitando gastos recorrentes com desgaste ou falhas. Além da funcionalidade, que é extremamente significativa, mais de 95% dos fabricantes brasileiros utilizam nosso equipamento. Desde 2009, também exportamos para diversos países, iniciando pela África do Sul.
Temos um alinhamento muito importante entre o equipamento e os resultados econômicos e sustentáveis que ele proporciona, tanto para o meio ambiente quanto para o produtor, que é o principal interessado no sucesso do negócio. Trabalhamos intensamente para que o equipamento seja sustentável tanto no aspecto econômico quanto ambiental.
ValorPF – Que conselho você daria aos novos empreendedores que estão iniciando seus negócios?
EM – Acredito que, hoje, inovar é fundamental para iniciar um negócio. A inovação é um diferencial competitivo em qualquer área. Ela precisa ser inclusiva, gerar confiança e proporcionar bem-estar. Dentro desse propósito, vejo a inovação como um elemento essencial, alinhado à sustentabilidade.
Além disso, ela deve ser disruptiva: é preciso buscar o que ainda não existe no mercado, algo que agregue valor e traga resultados efetivos para o empreendimento. Vejo com muito bons olhos essa ideia de que inovar é preciso, assim como, na história antiga, navegar era preciso.
Aqui, sempre atuamos dentro dos três horizontes da inovação. Começamos com um equipamento de dosificação mecânica, depois evoluímos para o digital, com máquinas elétricas que permitem ao produtor controlar a dosagem na palma da mão. No terceiro horizonte, já estamos trabalhando com a agricultura 5.0, que trará o principal insumo para o produtor no futuro: dados.
Ter informação e saber administrar o negócio com base em dados será essencial. Esse é o meu conselho.



