“O setor agropecuário funciona como um motor que movimenta toda uma cadeia econômica”

No Conversa de Valor desta semana, recebemos Luís Fernando Pires, advogado, produtor rural e profundo conhecedor das demandas do campo. Natural de São Luiz Gonzaga e especialista em Direito Agrário e Ambiental, Luís Fernando alia a experiência acadêmica e profissional à vivência prática no dia a dia da produção de grãos e da pecuária de corte ao lado de sua família.

Com uma trajetória marcada pela defesa dos interesses do setor, ele presidiu a Comissão Jovem da Farsul entre 2012 e 2018 e, desde 2014, atua como assessor da Presidência do Sistema Farsul, acompanhando de perto o monitoramento de projetos de lei e levando a voz dos produtores rurais aos parlamentos estadual e nacional.

Nesta entrevista, ele compartilha sua visão sobre o papel estratégico do agronegócio no crescimento econômico do Rio Grande do Sul, a importância do setor na geração de empregos e renda e como o fortalecimento dessa atividade pode ser decisivo para reduzir desigualdades regionais e impulsionar o desenvolvimento sustentável em diferentes territórios do Estado.

Valorpf –  Qual é o papel estratégico do agronegócio no crescimento econômico do Rio Grande do Sul, especialmente em um cenário de desafios climáticos e instabilidade de mercados? 

Luís Fernando Pires (LFP) – O agronegócio desempenha um papel absolutamente central no desenvolvimento econômico do Rio Grande do Sul, representando mais de 40% do PIB estadual. É a principal engrenagem que impulsiona a economia gaúcha. No entanto, essa dependência também torna o Estado vulnerável: eventos climáticos extremos, como secas ou enchentes, impactam diretamente a produção agrícola, refletindo imediatamente nos indicadores econômicos. A recente queda no crescimento do PIB estadual, por exemplo, está fortemente ligada às perdas causadas por intempéries climáticas. Em um cenário de mercados instáveis e mudanças no clima, o fortalecimento da resiliência do setor é fundamental para garantir estabilidade econômica ao Estado. 

VP-De que forma o setor agropecuário tem contribuído para gerar empregos, renda e movimentar outros segmentos da economia gaúcha, como a indústria e os serviços? 

LFP – O setor agropecuário funciona como um motor que movimenta toda uma cadeia econômica. Quando o campo vai bem — ou seja, quando há uma boa colheita — ocorre uma maior circulação de recursos nas regiões produtivas. Isso se reflete diretamente na indústria de máquinas e implementos agrícolas, no comércio de insumos, nos serviços de transporte, tecnologia, manutenção, entre outros. O resultado é a geração de empregos e renda, não apenas no setor primeiro, onde a atividade de fato começa, mas também em segmentos industriais e de serviços que dependem direta ou indiretamente do desempenho do agronegócio. 

VP-Como o fortalecimento do agronegócio pode ajudar a reduzir as desigualdades regionais e impulsionar o desenvolvimento sustentável em diferentes territórios do Estado? 

LFP  – O fortalecimento do agronegócio tem um efeito direto na melhoria dos indicadores sociais e econômicos em diversas regiões do Estado. Municípios com forte presença do setor, como Não-Me-Toque, Panambi e Passo Fundo, são exemplos concretos: além de apresentarem uma produção agrícola expressiva, atraem indústrias vinculadas ao setor e geram empregos qualificados. Isso se reflete em melhores índices de IDH, maior oferta de serviços públicos e melhoria na qualidade de vida. Com políticas adequadas, o agronegócio pode ser uma ferramenta eficaz para reduzir desigualdades regionais e promover o desenvolvimento sustentável de maneira equilibrada e inclusive já constatada em vários regiões. Com mais segurança jurídica, previsibilidade, incentivos a irrigação e um seguro rural adequados são medidas que podem auxiliar e muito nesse desenvolvimento.

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