Milho recua com safra recorde dos EUA; soja reage em alta com oferta “apertada”

No pregão desta terça-feira, os mercados globais de grãos registraram movimentos distintos para o milho e a soja, refletindo fatores opostos nos fundamentos de oferta e demanda.

Milho em queda: safra recorde dos EUA pesa sobre os preços

O mercado de milho encerrou o dia pressionado tanto na Bolsa Brasileira (B3) quanto em Chicago (CBOT). A nova estimativa do USDA projeta uma safra norte-americana superior a 425 milhões de toneladas, um recorde que derrubou os futuros abaixo dos US$ 4 por bushel.
Na B3, os contratos recuaram: setembro/25 cotado a R$ 64,78 (queda de R$ 0,52 no dia e R$ 0,96 na semana), novembro/25 a R$ 66,88 e janeiro/26 a R$ 69,98. Em Chicago, houve baixa de 3,5% nos vencimentos de setembro (US$ 371,50/bushel) e 3,25% no de dezembro (US$ 394,50/bushel). O aumento da oferta pressionou o mercado, enquanto a valorização do real frente ao dólar reduziu a competitividade do milho brasileiro.
Este cenário reforça a necessidade urgente de estímulo à demanda interna — como a possível expansão da indústria de etanol de milho — para conter a queda das cotações.

Soja em alta: oferta apertada nos EUA eleva cotações

Enquanto isso, a soja fechou em alta em Chicago, sustentada por um relatório do USDA com projeções de produção e estoques mais conservadoras do que o esperado. As estimativas revisadas mostraram redução na área plantada e volumes finais, embora com produtividade revisada positivamente — reforçando um cenário de oferta mais contida.
O contrato de setembro subiu 2,12%, para US$ 1.012,75, e o vencimento de novembro avançou 2,13%, para US$ 1.032,75. O farelo de soja subiu 0,21% (US$ 281,40/ton curta), enquanto o óleo teve leve alta de 0,09% (US$ 53,24/libra-peso).
Apesar da valorização, a ausência de compras da China, tradicional principal demandante, traz incertezas. A trégua tarifária entre os EUA e a China foi prorrogada por 90 dias, mas Pequim segue buscando diversificação de fornecedores.

Resumo dos Impactos

CulturaTendênciaMotivo Principal
MilhoQuedaSuperoferta nos EUA e real valorizado
SojaAltaOferta mais apertada nos EUA, mas demanda chinesa ainda incerta
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