A decisão dos Estados Unidos de aplicar uma sobretaxa sobre as exportações brasileiras de carne bovina pode provocar uma reconfiguração significativa nas rotas comerciais — especialmente com o Centro-Oeste ganhando protagonismo como fornecedor de proteína mais acessível a vizinhos como Argentina e Uruguai.
Essa avaliação é do professor Júlio Barcellos, coordenador do NESPro (Núcleo de Estudos em Sistemas de Produção de Bovinos de Corte e Cadeia Produtiva) da UFRGS. Segundo ele, esse movimento “daria fôlego aos pecuaristas brasileiros”, sobretudo diante da perspectiva de escoar cortes mais baratos produzidos no Centro-Oeste para mercados vizinhos, sem impactar a carne de maior valor do Rio Grande do Sul.
O especialista destaca que a Argentina pode aproveitar para exportar sua própria carne aos EUA — ainda que essa estratégia possa pressionar o abastecimento interno e elevar preços locais. No contexto de mercado, essa retomada faz parte de ajustes mais amplos motivados pelo chamado “tarifaço” que, apesar de não atingir diretamente a carne gaúcha — com destino mais voltado à Europa — ainda repercute fortemente no estado. A movimentação interna de produto de outros estados faz com que o impacto se espalhe por toda a cadeia produtiva nacional.
Barcellos acrescenta que o RS deve investir ainda mais em rastreabilidade, controle de fronteiras e produtividade, com o objetivo de reduzir custos médios e manter-se competitivo no segmento de carne de alto valor agregado.



