O mercado de milho no Brasil segue com fôlego, impulsionado por um ritmo consistente nas exportações. Na B3, os contratos futuros encerraram a segunda-feira com ganhos expressivos: o vencimento de setembro subiu para R$ 65,74 (alta de R$ 0,99 no dia e R$ 0,44 na semana); novembro fechou a R$ 68,33 (avanço de R$ 0,90 no dia e R$ 0,75 na semana); e janeiro atingiu R$ 70,96 (mais R$ 0,39 no dia e R$ 0,40 na semana). Esse cenário positivo contrasta com a queda dos preços domésticos, pressionados por estimativas recordes de produção global — dos EUA e do Brasil —, além de alta oferta e maior liquidez entre produtores-vendedores. A safra norte-americana é estimada em 425,25 milhões de toneladas e a brasileira em 131 milhões, com a Conab projetando até 137 milhões de toneladas para 2024/25 (alta de 18% sobre a temporada anterior).
Enquanto isso, na Bolsa de Chicago, o milho teve desempenho misto: o contrato de setembro recuou 0,20%, cotado a US$ 383,00 por bushel, mas o de dezembro avançou 0,25%, alcançando US$ 406,50 por bushel. O volume de inspeções de embarques semanais caiu 31%, embora uma venda adicional de 124 mil toneladas para destino não revelado tenha sustentado as cotações.
No segmento da soja, os contratos em Chicago também fecharam a segunda-feira com comportamento misto, refletindo um mercado cauteloso. O contrato de setembro, referência para a safra brasileira, recuou 0,15%, cotado a US$ 1.020,75 por bushel; novembro cedeu 0,02%, para US$ 1.042,25 por bushel. No mercado de derivados, o farelo de soja para setembro registrou queda de 1,06%, cotado a US$ 280,40 por tonelada curta, enquanto o óleo subiu 0,17%, chegando a US$ 53,27 por libra-peso.
A dinâmica dos embarques internacionais da soja também mostra fragilidade: houve queda de 12,98% no volume semanal, totalizando 473,6 mil toneladas, com Egito liderando como principal destino, seguido por México, Itália, Taiwan e Alemanha. A ausência da China nas compras acentua a incerteza. As chuvas recentes na região produtora dos EUA limitaram as expectativas de novas valorizações e levaram fundos a realizarem lucros. O início do ProFarmer Tour, com avaliações de campo nas regiões de Ohio e Dakota do Sul, deve trazer mais dados sobre a safra ainda nesta semana. O mercado permanece de olho nas condições climáticas e no impasse entre EUA e China, cuja negociação foi prorrogada por mais 90 dias, fatores que podem movimentar as cotações nos próximos dias.



