Tarifaço dos EUA pressiona indústria gaúcha: férias, redução de turnos e demissões emergem como medidas de contenção

A taxação de até 50% imposta pelos Estados Unidos a produtos brasileiros — apelidada de “tarifaço” — vem causando fortes impactos na indústria do Rio Grande do Sul. Empresas dos setores madeireiro, calçadista, de defesa e mobiliário, entre outros, recorrem a férias coletivas, redução de jornadas e até demissões como forma de conter prejuízos.

Na fábrica da Agroindustrial Sul Pinus, em Mostardas, que antes operava com cerca de 340 funcionários e produzia 7 mil metros cúbicos de madeira por mês, a produção caiu para 4 mil metros cúbicos e pode reduzir ainda mais, para 1,2 mil. A situação já resultou em cortes significativos nas unidades de Piratini, com 37 demissões, e Encruzilhada do Sul, com 80 desligamentos.

No setor madeireiro como um todo, levantamento do sindicato que representa a categoria aponta que mais da metade das empresas exportadoras aos EUA já alterou a rotina de trabalho. Entre as medidas estão a adoção de escalas diferenciadas, a antecipação de férias e a paralisação temporária de turnos, numa tentativa de evitar cortes em massa.

A Companhia Brasileira de Cartuchos (CBC), fabricante de munições, também foi afetada. A empresa interrompeu temporariamente a produção de carabinas longas na fábrica de Montenegro e adiou investimentos previstos em São Paulo. Aproximadamente 130 funcionários foram afastados por duas semanas, com possibilidade de prorrogação.

A Federação das Indústrias do Estado (Fiergs) classifica o impacto do tarifaço como uma “segunda enchente” para a economia gaúcha, estimando que até 145 mil empregos diretos e indiretos possam estar em risco diante da crise deflagrada pelas barreiras comerciais norte-americanas.

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