Entidades do setor sugerem cortes expressivos na área plantada de arroz no país para evitar crise

Faltando pouco para o início do plantio da próxima safra, as federações rurais Federarroz (Federação das Associações de Arrozeiros do RS) e Farsul (Federação da Agricultura do RS) recomendaram uma redução drástica nas áreas destinadas ao cultivo de arroz. A orientação é clara: diminuir 8% da área no Rio Grande do Sul e cerca de 30% nos demais estados produtores.

A recomendação considera o recente descolamento entre o preço da saca — que caiu para valores que não cobrem os custos de produção — e os custos crescentes enfrentados pelos orizicultores. Segundo Antônio da Luz, economista-chefe da Farsul, sem essa retração, o setor pode se aproximar de um verdadeiro “iceberg de crise” em 2026, diante do risco de sobrecarga de oferta.

O Rio Grande do Sul responde por dois terços da produção nacional de arroz, tendo semeado cerca de 970 mil hectares na safra anterior — aumento de quase 8%. Outras regiões do país somaram aproximadamente 700 mil hectares plantados. Alexandre Velho, presidente da Federarroz, alertou que a expansão recente favorece o excesso de oferta e pressiona ainda mais os preços.

Além disso, as exportações brasileiras de arroz vêm sofrendo forte competição de países do Mercosul. “Este ano, perdemos navios que deveriam sair do Rio Grande do Sul para o Paraguai, Uruguai e Argentina — o equivalente a mais de 4 milhões de sacos”, destacou Velho, evidenciando a urgência em ajustar a estrutura produtiva.

Considerando o cenário crítico, o presidente da Farsul, Gedeão Pereira, sugeriu que a pecuária seja uma alternativa viável aos produtores que reduzirem suas áreas de arroz. A pecuária, destaca, oferece condições de retorno mais atrativas diante das adversidades enfrentadas no setor arroz.

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