Uma decisão judicial no Rio Grande do Sul determinou a proibição imediata do uso do herbicida hormonal 2,4-D até o fim de 2025 em toda a região da Campanha Gaúcha e outras áreas do estado, provocando embate entre produtores de frutas e de soja. A medida foi motivada por ação de fruticultores que alegam prejuízos provocados pela deriva do defensivo, que pode atingir vinhedos e causar danos como abortamento de flores, brotação comprometida e cachos ralos.
De acordo com a decisão da Vara de Meio Ambiente, o governo estadual deverá, em até 120 dias, implementar um sistema eficaz de monitoramento e fiscalização do uso do 2,4-D, criar zonas de exclusão próximas a culturas sensíveis, instituir multas e estabelecer um fundo de compensação. Caso não cumpra as determinações, a gestão estadual ficará sujeita a multa diária de R$ 10 mil.
Para os fruticultores, a proibição representa um alívio, pois traz proteção para culturas vulneráveis como uva, frutas de caroço, nozes e oliveiras, que têm sido afetadas pela dispersão do herbicida. Por outro lado, produtores de grãos demonstram preocupação, especialmente diante da proximidade do plantio da safra de soja e da dependência de tecnologias — como a soja com tecnologia Enlist — que previam o uso do 2,4-D como parte do manejo. O setor teme aumento dos custos com alternativas mais caras para controlar plantas daninhas resistentes.
A Secretaria da Agricultura do RS afirmou que está avaliando a decisão e estudando medidas para mitigar impactos, entre elas orientações para aplicação segura, fiscalização intensificada e apoio técnico para produtores afetados. O tema também mobiliza o Legislativo estadual, que discute propostas para instituir normas que garantam coexistência entre culturas distintas de maneira sustentável.



