“Somos uma Universidade feita de transformações”


Para este sábado, o Conversa de Valor recebe uma das lideranças mais influentes da educação superior no Sul do Brasil: a reitora da Universidade de Passo Fundo, Dra. Bernadete Maria Dalmolin. Com uma trajetória marcada pela dedicação à formação acadêmica e à gestão universitária, ela conduz a UPF em sua gestão 2022-2026, dando continuidade a uma carreira que une experiência docente, produção científica e compromisso com o desenvolvimento regional.

Doutora e mestre em Saúde Pública pela USP, com especializações em Gestão do Ensino Superior e Saúde Mental, a reitora acumula mais de três décadas de atuação na instituição, onde já exerceu funções estratégicas, como vice-reitora de Extensão e Assuntos Comunitários e integrante do Conselho Diretor da FUPF.

A Dra. Bernadete compartilha sua visão sobre os desafios globais do ensino superior — da internacionalização e pesquisa colaborativa ao papel das novas tecnologias na aprendizagem — e analisa como a UPF tem atualizado sua proposta acadêmica para preparar profissionais capazes de transformar realidades. Além disso, destaca como a universidade tem reforçado sua missão como agente de desenvolvimento econômico, social e cultural do norte gaúcho.

ValorPF – Diante das transformações globais no ensino superior, como a UPF tem se posicionado em relação à internacionalização, à pesquisa colaborativa e à incorporação de novas tecnologias de ensino e aprendizagem? 

Bernadete Maria Dalmolin (BMD)  Somos uma Universidade feita de transformações, em constante evolução. Formamos pessoas que, por sua vez, transformam suas realidades com soluções inovadoras em cada tempo e em cada local. Nessas quase seis décadas, sempre estivemos atentos aos movimentos da sociedade, sendo fonte de novos conhecimentos, novos projetos e conexões entre o local e o global.

A internacionalização, a pesquisa colaborativa e a ideia de uma relação ensino-aprendizagem mediada por tecnologias, de fato, são algumas das principais transformações globais  e precisam ser bem compreendidas, sob pena de comprometer o próprio protagonismo das universidades. O esforço da UPF não é de simples adaptação às mudanças, mas antes de um olhar crítico sobre o que isso significa para o estudante, para sua sua formação e para a capacidade dessa formação impactar positivamente no mundo.

Os currículos da graduação e da pós-graduação da UPF passam por constantes revitalizações e buscam não só adaptarem-se às exigências legais, mas acima de tudo proximidade com as necessidades do mundo do trabalho e da sociedade, que, em última instância, demanda um profissional cidadão, cuja formação supera o simples treinamento profissional. 

A pesquisa colaborativa, por exemplo, chega às universidades como exigência de inovação. Na UPF temos inúmeras iniciativas nessa direção, entre elas o Programa MAI/DAI (CNPq), que busca integrar estudantes e professores da pós-graduação (mestrado e doutorado) em projetos de pesquisa de interesse do setor empresarial e o Parque Científico e Tecnológico (UPF Parque), que tem entre seus principais objetivos conectar a pesquisa acadêmica a empresas e startups, fomentando o desenvolvimento regional através da ciência, da tecnologia e da inovação. Contudo, como Universidade fazemos isso com a criticidade e o distanciamento necessário, evitando a mera mercantilização da pesquisa científica e/ou mesmo a diminuição do valor da pesquisa básica em detrimento da pesquisa aplicada.

VALORPF – Como a Universidade tem atualizado sua proposta acadêmica para atender às novas demandas do mercado de trabalho e preparar profissionais para os desafios do futuro?

BMD – Na UPF entendemos que a internacionalização é muito mais que mobilidade acadêmica. Para nós a internacionalização é um princípio formativo e uma estratégia institucional, que visa fortalecer uma postura cosmopolita, constituindo um enorme diferencial na educação de um profissional cidadão. Como estratégia institucional, nossas ações passam pela internacionalização dos currículos, por programas de mobilidade internacional como bolsas de estudo e auxílios financeiros aos estudantes da graduação e da pós-graduação. 

Tudo isso está associado a uma matriz metodológica que coloca o estudante como protagonista na relação ensino-aprendizagem. A iniciação à pesquisa e a experiência de uma extensão curricularizada permitem aos estudantes da UPF, desde os primeiros semestres de formação, um envolvimento direto com o universo científico e com as necessidades do mundo do trabalho e da sociedade. Essas últimas em parcerias com inúmeras organizações governamentais, não governamentais, empresas, entidades e comunidades distintas. 


ValorPF – De que forma a UPF tem fortalecido seu papel como agente de desenvolvimento regional, conectando ensino, pesquisa e extensão às demandas econômicas, sociais e culturais do norte do Rio Grande do Sul?Transformações globais no ensino superior e o posicionamento da UPF (internacionalização, pesquisa, tecnologia, currículos, respostas à sociedade)

BDM – As novas tecnologias, são ferramentas importantes e contribuem para o dinamismo do ensino, ampliando horizontes da aprendizagem. Contudo, o simples uso dessas ferramentas não é suficiente para a consolidação da premissa do estudante como sujeito do processo da aprendizagem. A prática pedagógica precisa considerar, portanto, outros elementos, como por exemplo, a do diálogo como princípio educativo, transformando a sala de aula em um lugar de participação, reflexão, debates e interações com a sociedade.  

Na UPF, acreditamos que o desafio de formar profissionais, no presente e no futuro, é o de formar pessoas inseridas na cultura do conhecimento acadêmico e comprometidas com a ciência, a tecnologia e a responsabilidade social. É esse conjunto de ações que torna nossos estudantes mais preparados para enfrentar os desafios contemporâneos e futuros, independentemente da área em que venham a atuar.

plugins premium WordPress