O Federal Reserve anunciou na última quarta-feira (17) a redução de 0,25 ponto percentual na taxa de juros dos Estados Unidos. Embora o corte já fosse esperado, chamou atenção o voto de um dos dirigentes favoráveis a uma queda maior, de 0,50 ponto, o que reforçou a sinalização de continuidade no ciclo de afrouxamento monetário.
Na análise de Eduardo Tellechea Cairoli, CEO e fundador da Privatto Multi Family Office, a decisão abre caminho para que novos cortes ocorram ainda em 2025, caso os indicadores de inflação e emprego se mantenham favoráveis. A gestora projeta até três reduções adicionais em 2026, cenário que tende a favorecer ativos globais e ampliar oportunidades para investidores.
— Seguimos atentos às implicações desse ciclo de afrouxamento monetário para identificar oportunidades que tragam valor aos nossos clientes — afirma Cairoli.
Impactos para o investidor brasileiro
Segundo o executivo, embora o mercado tenha projetado cortes já no início de 2025, a política tarifária americana imposta pelo governo Trump levou o Fed a agir com mais cautela. Agora, com inflação e emprego em trajetória mais controlada, a flexibilização monetária ganha força.
Ele explica que o voto favorável a um corte mais agressivo indica tendência de continuidade. “O movimento é positivo porque torna o capital mais barato e impacta não apenas a economia americana, mas também a global, já que o dólar é a principal moeda de reserva do mundo”, afirma.
Perspectivas para 2026
A expectativa de novas reduções em 2026 dependerá da evolução dos indicadores americanos. Caso inflação e geração de empregos sigam em queda, os cortes devem prosseguir. Por outro lado, persistência inflacionária ou mercado de trabalho aquecido podem frear o movimento.
Setores mais beneficiados
O primeiro reflexo costuma ser sentido no mercado de ações dos EUA, mas Cairoli ressalta que os efeitos se estendem para ETFs de criptoativos, economia real, private equity, venture capital e setor imobiliário. No Brasil, os impactos devem ser mais lentos, já que a inflação segue acima do teto da meta e limita a queda da Selic.
Estratégias recomendadas
Na carteira doméstica, a Privatto adota postura mais conservadora, com foco em renda fixa, especialmente pós-DI e títulos atrelados ao IPCA. Cairoli cita como exemplo a elevação dos prêmios das NTN-Bs em abril, aproveitada pela gestora para ampliar posições.
No exterior, a estratégia é mais agressiva, com maior peso em renda variável. “A economia americana é sólida e, historicamente, o S&P 500 apresenta desempenho superior no longo prazo, o que justifica uma exposição relevante a esse mercado”, destaca o executivo.



