Nosso propósito é formar profissionais aptos a atender não apenas às demandas técnicas, mas também às exigências comportamentais e de liderança do setor’


O Conversa de Valor desta semana recebe Deniz Anziliero, Diretor da Escola do Agronegócio da Atitus Educação. Médico-veterinário com pós-doutorado na área, Anziliero está há mais de 10 anos à frente do projeto que transformou a instituição em referência no setor.

Sob sua liderança, a Escola do Agronegócio passou por uma reestruturação estratégica, alinhando ensino, pesquisa, inovação e parcerias empresariais às demandas reais do campo. Em um momento em que o agronegócio representa quase 30% do PIB brasileiro e emprega milhões de pessoas, a proposta da Atitus ganha ainda mais relevância.

Anziliero fala sobre o modelo pedagógico inovador da Escola, a importância do Campus Agro para conectar empresas, produtores e estudantes, além de compartilhar a visão de futuro diante de temas como sustentabilidade, biotecnologia e agricultura digital.

ValorPF –  Como o modelo pedagógico da Escola do Agronegócio que integra ensino, pesquisa, inovação, extensão e parcerias com empresas — tem sido adaptado para atender às necessidades reais das comunidades rurais e que desafios foram identificados nessa adaptação? 

Deniz Anziliero – (DA) – O agronegócio segue como um dos motores da economia brasileira. Em 2025, a participação do setor no PIB nacional deve chegar a 29,4%, frente aos 23,5% registrados em 2024. Além disso, segundo o Cepea/CNA, mais de 28 milhões de pessoas estão empregadas na área, o que representa cerca de 26% dos postos de trabalho do país. Mesmo diante de crises, como as enfrentadas no Rio Grande do Sul, o agro brasileiro mantém-se resiliente, ampliando produtividade, adotando novas tecnologias e reforçando sua relevância socioeconômica.

É nesse contexto que nós da Atitus Educação decidimos investir na reestruturação da Escola do Agronegócio, relançada em 2023 após dois anos de pesquisa, escuta ativa e validação com o mercado. O modelo pedagógico adotado, conhecido como Atitus Learning System, foi desenhado para aproximar ensino, pesquisa, inovação, extensão e empresas, com duas premissas centrais: a ideia de employer university (“universidade empregadora”) e a conexão radical com o mercado.

A Escola estrutura sua atuação em três grandes verticais: Grãos (cooperativas, cerealistas, produtores rurais, energia e insumos), Máquinas e Implementos Agrícolas (grãos e proteína animal) e Proteína Animal (biotecnologia, genética, agroindústria, nutrição e sanidade). Para fortalecer a governança e alinhar sua estratégia ao setor, a Escola conta ainda com um conselho consultivo formado por sete nomes de peso, como o ex-ministro Francisco Turra, o chefe-geral da Embrapa Territorial Gustavo Spadotti e o CEO da Ourofino Saúde Animal, Kleber Gomes entre outros.

Outro destaque é o Agribusiness Partner Program, iniciativa que conecta empresas, startups, institutos e entidades à formação de estudantes, contribuindo para a capacitação de agrônomos e médicos-veterinários. A proposta busca enfrentar um dos maiores gargalos do agro: a carência de mão de obra qualificada e de novas lideranças.

Nosso propósito é formar profissionais aptos a atender não apenas às demandas técnicas, mas também às exigências comportamentais e de liderança do setor, incluindo o desafio da sucessão familiar no campo  é o grande diferencial do modelo. A estratégia tem permitido aproximar de forma sistemática e institucional ainda mais a academia das necessidades reais das comunidades rurais, qualificando a nova geração de líderes e profissionais do agronegócio brasileiro.

ValorPF – De que forma o Campus Agro da Atitus está aproveitando os diferenciais produtivos e tecnológicos da região para fomentar cadeias de valor locais de modo a gerar desenvolvimento sustentável e retenção de valor região?

Deniz Anziliero – (DA) – Embora o Rio Grande do Sul não lidere o ranking nacional em algumas culturas agrícolas, foi desta região que partiram muitos agricultores responsáveis pela expansão da fronteira agrícola brasileira, levando consigo além da garra e da força do trabalho gaúcho, as principais culturas do país: soja, milho, trigo e arroz, gado e contribuindo de forma decisiva para a consolidação do setor como conhecemos hoje.

A região ainda se destaca por sua força industrial: mais de 62% da produção e exportação de máquinas agrícolas do Brasil sai daqui. Além disso, reúne uma base sólida de produtores profissionalizados, cerealistas, sementeiros e grandes agroindústrias, que sustentam a competitividade do agro gaúcho e ainda são referências nacionais. Nos últimos 20 anos, o estado também se consolidou como referência na produção de biodiesel e, em breve, deve ampliar seu protagonismo com o etanol de cereais.

Nosso modelo na Escola do Agronegócio está em sintonia com essas vocações regionais que, na prática, representam a base econômica do agronegócio brasileiro”. Esse ecossistema regional, especialmente em Passo Fundo e região, concentra alguns dos principais players do agro mundial e se tornou um verdadeiro polo do setor no estado. Ou seja, para a nossa estratégia faz todo o sentido estar articulado neste polo regional agropecuário.

Essa concentração gera dois efeitos diretos: aumenta a demanda por profissionais cada vez mais qualificados e impulsiona um ambiente colaborativo, no qual produtores, empresas, instituições e universidades trocam conhecimento e constroem soluções conjuntas. É nesse cenário que surge o Campus do Agronegócio da Atitus, inaugurado em 2024. O espaço foi pensado como uma rede integrada, capaz de reunir diferentes atores do setor para debater temas estratégicos e, ao mesmo tempo, formar a nova geração de lideranças, produtores e profissionais do agronegócio, complementa a instituição. O espaço traz um conceito inspirador e que acopla perfeitamente nosso modelo inovador de ensino.

Essa estratégia não apenas fortalece cadeias de valor regionais, mas também amplia a retenção de riqueza na região e promove desenvolvimento sustentável, já que a maior parte dos municípios gaúchos depende diretamente da agropecuária para seu crescimento socioeconômico. Além do mais, a Escola do Agronegócio estando nacionalizada, projeta a região como um case de sucesso para todo o país

ValorPF –  Considerando a rápida evolução de tecnologias como agricultura digital, biotecnologia, automação, e as demandas crescentes por sustentabilidade e certificações ambientais, como o senhor enxerga o papel da Escola do Agronegócio nos próximos 10 anos? Quais inovações institucionais são prioridades para que o Campus se consolide como referência nacional no ensino agro?

Deniz Anziliero – (DA) – Poucos países no mundo fizeram em tão pouco tempo e em tão grande escala o que o Brasil realizou na evolução tecnológica do agro. O agricultor brasileiro é reconhecido internacionalmente como um dos mais abertos à inovação, ainda que precise avançar em aspectos de gestão. Esse é justamente um dos pontos-chave do futuro: o setor continuará enfrentando desafios tradicionais como clima, rentabilidade, infraestrutura e profissionalização, mas será cada vez mais impactado por temas como agricultura digital, biotecnologia, automação, sustentabilidade e certificações ambientais.

Diante desse cenário, a instituição projeta seu papel com clareza. Nosso compromisso é manter o ensino sempre conectado às demandas reais do mercado. Isso significa aproximar empresas e estudantes, criar experiências que engajem os jovens para atuar no setor e inovar continuamente, para formar profissionais alinhados às transformações do agro.

O norte da estratégia segue sendo o Atitus Learning System, modelo educacional baseado no conceito de employer university (universidade empregadora), que integra ensino, pesquisa, inovação, extensão e mercado. Nos próximos 10 anos, estaremos em constante movimento, fortalecendo um ecossistema que envolve toda a quádrupla hélice (universidade, empresas, governo e sociedade) para preparar a nova geração de talentos do agronegócio. O objetivo é claro: consolidar o Campus Agro como uma referência nacional em educação inovadora, capaz de transformar vidas e gerar prosperidade para o setor e para o país.”

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