Arroz enfrenta pior crise de rentabilidade desde a pandemia, com preços abaixo do custo

A orizicultura brasileira atravessa um momento crítico: analistas apontam que o setor enfrenta sua pior crise de rentabilidade desde a pandemia. Os preços atuais estão nos níveis mais baixos desde maio de 2020, com negociações no Rio Grande do Sul oscilando entre R$ 55 e R$ 65 por saca em casca, valores bem inferiores ao custo de produção, estimado entre R$ 75 e R$ 90.

A situação é agravada pela baixa liquidez nas negociações e pelas dificuldades de acesso ao crédito do Plano Safra, o que tem levado produtores a “liquidar estoques apenas para fazer caixa”, aprofundando as perdas. A oferta abundante também pesa: os estoques de passagem projetados para o período atingem 2,3 milhões de toneladas, mantendo forte pressão sobre os valores mesmo com expectativa de queda na produção 2025/26.

Diante desse cenário, cresce entre produtores a ideia de que será necessário reduzir a área plantada — estimativas apontam de 8% a 10% de recuo no Rio Grande do Sul e até 30% em áreas de sequeiro — como medida para tentar reequilibrar oferta e demanda.

No mercado internacional, a cotação do arroz segue em queda. Na Bolsa de Chicago, o contrato futuro cotado a US$ 11,37 por quintal curto equivale a cerca de R$ 67,19 por saca, valor ainda superior à média praticada no mercado gaúcho.

Para mitigar vulnerabilidades, especialistas alertam para a urgência de agregar valor à produção, por meio de co-produtos como proteína do farelo, lecitina e sílica, como caminho para reduzir a dependência dos ciclos de superoferta.

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