A China está reconfigurando sua pauta de compras de carne bovina: enquanto suas importações dos Estados Unidos despencaram em meio a restrições e tensões tarifárias, o Brasil e a Austrália ganharam espaço como fornecedores privilegiados.
Fontes da agência Reuters indicam que, antes da mudança, os EUA exportavam cerca de US$ 120 milhões mensais em carne bovina para a China. Agora, após o vencimento de licenças de frigoríficos americanos, esses embarques caíram para menos de US$ 10 milhões em alguns meses — um recuo drástico.
Na contramão, as exportações australianas saltaram, registrando valores mensais superiores a US$ 220 milhões, enquanto o Brasil intensificou seus embarques. Em agosto de 2025, o país exportou 359,4 mil toneladas de carne bovina para a China, gerando receita de US$ 1,66 bilhão — alta de 19% em volume e 49% em receita frente ao mesmo mês do ano anterior. No acumulado do ano, os embarques brasileiros somaram 2,41 milhões de toneladas, com receita de US$ 10,8 bilhões, crescimento de 19% e 34%, respectivamente.
Analistas apontam que o deslocamento das compras chinesas é parte de uma estratégia que alia posicionamento comercial e disputas geopolíticas, enquanto o Brasil aproveita sua competitividade e volume de produção para reforçar sua presença no maior mercado consumidor mundial de carne bovina.



