O mercado do trigo encerrou setembro em queda no Brasil. De acordo com dados da consultoria Safras & Mercado, as cotações recuaram, em média, 5,2% no país, enquanto no Rio Grande do Sul o declínio foi um pouco menor, de 4%, ritmo semelhante ao registrado em Minas Gerais.
O recuo é reflexo da transição entre safras e da pressão do mercado externo. Nos estados em que a colheita da nova safra já avança, como o Paraná, os preços da safra antiga vêm se ajustando para acompanhar o patamar mais baixo da safra nova.
No caso gaúcho, a colheita ainda não começou, e os preços seguem baseados na safra anterior, tornando o mercado mais vulnerável a fatores externos. A valorização do real e a queda nas cotações internacionais do trigo têm contribuído para o movimento de baixa.
Segundo o analista Elcio Bento, da Safras & Mercado, a tendência é de que as cotações continuem recuando em outubro, acompanhando o comportamento do mercado paranaense e influenciadas pela entrada da nova safra. Ele destaca ainda que os moinhos estão retraídos, aguardando o início da colheita para retomar negociações com preços mais baixos.
A pressão também vem da oferta global recorde e do aumento da competitividade do trigo argentino, que intensifica a queda nos valores domésticos. Com o câmbio mais valorizado, o produto brasileiro perde espaço nas exportações, o que reforça a tendência de baixa.
A expectativa é de que o preço da tonelada de trigo na nova safra se estabilize em torno de R$ 1.100, valor inferior ao praticado no ciclo anterior.
Mesmo com o cenário desafiador, analistas apontam que o clima ainda pode influenciar os preços. Eventuais perdas de produção causadas por excesso de chuvas em outubro e novembro poderiam limitar a queda e sustentar parte do valor pago ao produtor.
No Rio Grande do Sul, a área plantada está estimada em 1,04 milhão de hectares, com produtividade média de 3,2 toneladas por hectare, o que resultaria em uma produção de 3,33 milhões de toneladas, caso as condições climáticas se mantenham favoráveis.



