O setor arrozeiro do Rio Grande do Sul atravessa uma grave crise. A comercialização praticamente estacionou, enquanto o valor pago ao produtor é hoje cerca de 50% inferior ao praticado no ano anterior.
No estado, a média da saca de arroz (58/62% de grãos inteiros, pagamento à vista) fechou a semana em R$ 58,66, o que representa queda de 0,79% sobre a semana anterior, retração de 11,91% em âmbito mensal e queda de 50,61% na comparação com 2024.
A situação se agrava diante dos atrasos no plantio: segundo relatório da Emater/RS-Ascar, apenas 12% da área projetada foi semeada até o momento. Em regiões como a Fronteira Oeste, o cenário é ainda mais preocupante, com pouca adesão à produção.
Entre as causas apontadas, estão as chuvas intensas e solos encharcados, que impedem o estabelecimento das lavouras. Além disso, produtores têm reduzido o uso de insumos em resposta à queda de preços e à escassez de crédito, comprometendo a produtividade futura.
Outro fator que intensificou a crise é a implementação de fiscalização eletrônica automática da tabela de fretes pela ANTT. Essa medida elevou os custos logísticos, fez com que unidades beneficiadoras reduzissem temporariamente suas atividades e gerou insegurança para o escoamento da produção.
Dentro do quadro, o consumo interno do arroz também recua. Em cerca de duas décadas, o consumo per capita caiu de 40 kg por pessoa/ano para cerca de 30 kg. A mudança nos hábitos alimentares, maior praticidade e presença de ultraprocessados contribuem para esse declínio.
Líderes do setor e entidades rurais pedem intervenções urgentes: elevação do preço mínimo, subvenções para comercialização, estímulos à demanda interna e maior proteção frente a importações irregulares ou desleais. Também há apelos por linhas de crédito mais acessíveis e políticas estaduais que apoiem o produtor afetado por eventos extremos.



