Os preços do gado gordo no Rio Grande do Sul registraram alta de 1,4% na última semana, passando de R$ 10,85 para R$ 11 por quilo, e especialistas dizem que a valorização pode continuar até meados de dezembro. A previsão é de um sobrepreço adicional de 5% a 7% até o dia 12 ou 15 de dezembro, cenário que tende a firmar os patamares de preço para o início de 2026.
De acordo com o professor Júlio Barcellos, da UFRGS, a alta decorre em parte da crise na agricultura gaúcha, que tem pressionado produtores a vender animais para reforçar o caixa. Isso reduziu a oferta de gado e gerou um “efeito cascata” no mercado. Além disso, muitos pecuaristas que criam gado e grãos sofrem com endividamento e dificuldade de acessar crédito, o que os levou a liquidar parte do rebanho.
Outro elemento que contribui para a valorização é a redução da entrada de bovinos vivos mais jovens no mercado de frigoríficos, já que parte significativa da oferta foi comercializada de forma antecipada. Paralelamente, cresce o volume de exportações de animais prontos para abate, o que fortalece a produção local.
Eventual ascensão na demanda por carne no fim de ano também deve impulsionar os preços. As festas de dezembro, associadas ao pagamento do 13º salário e outras bonificações, devem favorecer o consumo. Para Barcellos, o mercado gaúcho vive um momento “muito promissor”, especialmente para pecuaristas que seguraram o gado gordo e agora podem colher melhores resultados.



