O governo da China rejeitou formalmente o pedido do Brasil para a redistribuição de cotas remanescentes de carne bovina, mantendo o rigoroso controle sobre as importações da commodity para o ano de 2026. A decisão, confirmada nesta semana, representa um revés estratégico para os frigoríficos brasileiros, que buscavam absorver volumes não utilizados por outros países para evitar sobretaxas.
Com a negativa de Pequim, as exportações brasileiras que ultrapassarem o limite estabelecido de aproximadamente 1,1 milhão de toneladas estarão sujeitas a uma tarifa de 55%. Segundo analistas do setor, a medida visa proteger a pecuária doméstica chinesa, que apresentou sinais de lucratividade e recuperação nos últimos meses.
O mecanismo de contagem também permanece inalterado: a fiscalização será baseada na tonelagem bruta desembarcada nos portos chineses, sem levar em conta a data de saída do Brasil ou a empresa exportadora. Essa rigidez logística reduz a margem de manobra das empresas brasileiras, que agora precisam recalcular o ritmo de embarques para evitar custos adicionais que inviabilizem a operação.
REAÇÃO EM BRASÍLIA Apesar da negativa, o governo brasileiro busca transmitir estabilidade. O Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) classificou as salvaguardas como um mecanismo legítimo de defesa comercial e afirmou que o impacto inicial é considerado “controlável”.
Para mitigar a dependência do mercado chinês, o governo federal intensificou negociações internacionais. Entre as prioridades estão a abertura total do mercado japonês e a ampliação das exportações para a Coreia do Sul, destinos considerados estratégicos para absorver os cortes de maior valor agregado que podem perder espaço na China devido às novas restrições.
Especialistas da consultoria Safras & Mercado projetam que, sob este novo cenário de cotas, o volume total exportado pelo Brasil em 2026 pode sofrer um recuo de cerca de 4% em comparação ao recorde registrado no ano passado.



