Safra sob alerta: Excesso de humidade causa perdas de até 55% em cargas de soja

O excesso de precipitações durante a fase de colheita da safra 2025/26 está a colocar os produtores de soja em estado de alerta máximo. Relatórios técnicos recentes indicam um cenário alarmante: algumas cargas estão a chegar aos terminais com até 55% de grãos avariados, índice que praticamente anula a margem de lucro do produtor e compromete a qualidade do produto para exportação.

O fenómeno, descrito no campo como o “derretimento” da soja, ocorre quando o grão, já maduro ou dessecado, é exposto a chuvas persistentes. Ao chegar à unidade armazenadora com humidade excessiva e danos térmicos, o grão é classificado como “ardido”. Enquanto o padrão de mercado aceita até 8% de avariados, o índice de 55% observado nesta safra relega a produção a mercados secundários, resultando em descontos punitivos.

Estratégias de Mitigação Para evitar que a rentabilidade se perca em poucas horas de transporte, especialistas recomendam que o manejo nesta fase seja “cirúrgico”. A gestão estratégica da dessecação surge como o principal ponto de atenção: o escalonamento da prática evita que grandes áreas fiquem expostas simultaneamente sem a devida estrutura logística para o recolhimento imediato.

Outro fator determinante é o uso de medidores de humidade portáteis e calibrados. Colher grãos com humidade acima de 18% a 20% sem a garantia de secagem imediata é considerado um risco altíssimo, pois o processo de apodrecimento é acelerado dentro do camião.

Logística e Limpeza A limpeza da carga antes do embarque também é apontada como uma solução eficaz. A retirada de impurezas húmidas, como restos de cultura e vagens verdes, pode reduzir drasticamente o índice de avariados. No cenário atual, onde as condições climáticas não oferecem tréguas, a combinação entre monitorização em tempo real e eficiência logística é a única via para proteger o valor da saca e evitar que a colheita se transforme num prejuízo histórico.

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