O agronegócio consolidou-se, mais uma vez, como o principal motor da economia externa do Rio Grande do Sul. Em 2025, o setor foi responsável por US$ 15,4 bilhões em vendas para o exterior, o que representa 71,5% de tudo o que o Estado exportou no período. Os dados foram divulgados pelo Departamento de Economia e Estatística (DEE), vinculado à Secretaria de Planejamento, Governança e Gestão (SPGG).
Apesar da relevância estatística, o montante financeiro registrou um recuo de 3,2% em comparação a 2024. O desempenho foi impactado diretamente pela queda de 20,3% no complexo soja, que faturou US$ 5 bilhões. A retração da oleaginosa — principal produto da pauta gaúcha — foi motivada por uma quebra nos embarques do grão (-23,9%), reflexo de períodos de estiagem que atingiram as lavouras.
Carnes e Tabaco em Alta Se a soja perdeu fôlego, outros setores apresentaram crescimento expressivo. O segmento de carnes teve um avanço de 15,4%, sustentado principalmente pela carne bovina, que saltou 69,4% em vendas, e pela suína, com alta de 28,1%. O setor de fumo e seus produtos também registrou desempenho positivo, com crescimento de 11,1% no acumulado do ano.
No recorte do quarto trimestre de 2025, o agronegócio ampliou ainda mais sua fatia de participação, atingindo 74,4% das exportações totais do Rio Grande do Sul. Nesse período, a China manteve-se como o principal destino dos produtos gaúchos, absorvendo um terço das vendas, seguida pela União Europeia e pelos Estados Unidos.
Mercado de Trabalho e Cenário Externo Além das divisas, o campo impulsionou o mercado de trabalho formal. O agronegócio encerrou o ano com a criação de 10.693 novos postos de trabalho, representando mais de 23% do saldo total de empregos gerados na economia gaúcha em 2025. Os setores de abate e fabricação de produtos de carne foram os que mais contrataram.
O relatório também destaca a atenção do setor às políticas comerciais dos Estados Unidos. Embora as exportações para o mercado norte-americano tenham recuado pelo terceiro ano consecutivo, o país mantém a terceira posição entre os parceiros comerciais do agro gaúcho. Analistas monitoram agora os impactos de recentes decisões judiciais nos EUA que derrubaram parte das tarifas comerciais impostas anteriormente, o que pode alterar o fluxo de comércio nos próximos ciclos.



