A 26ª edição da Expodireto Cotrijal, encerrada na última sexta-feira (13) em Não-Me-Toque, consolidou-se como um termómetro crítico para o agronegócio da América Latina em 2026. Num cenário de contrastes, a feira equilibrou o otimismo tecnológico da Arena Agrodigital com a preocupação imediata dos produtores face às quebras na colheita e ao crescente endividamento rural.
O evento, que reuniu mais de 600 expositores e delegações de 70 países, foi precedido por manifestações de agricultores que exigiam políticas públicas mais robustas. De acordo com balanço da organização, o impacto das intempéries climáticas — incluindo uma quebra superior a 11% na safra de soja, segundo dados da Emater — dominou as discussões nos fóruns técnicos e políticos.
O presidente da Cotrijal, Nei César Mânica, destacou que o sucesso da feira em 2026 não deve ser medido apenas pelo volume de negócios, mas pela sua função como “porto seguro” para o produtor. “O objetivo principal, além de mostrar inovação, é buscar alternativas para as demandas urgentes de quem está no campo”, afirmou Mânica, referindo-se à necessidade de renegociação de dívidas e à ampliação do seguro agrícola.
Apesar das dificuldades financeiras, a feira apontou caminhos para o futuro. A Arena Agrodigital apresentou soluções em inteligência artificial e agricultura de precisão, enquanto o Pavilhão da Agricultura Familiar registou forte presença com 224 empreendimentos. No setor de máquinas, o clima foi de cautela, com a Abimaq a projetar uma queda de 8% no faturamento do setor para este ano.
Com o encerramento das atividades, a organização já projeta a Expodireto 2027, que será realizada de 8 a 12 de março, prometendo uma área de exposição ampliada para acomodar a crescente demanda por novas tecnologias e biossoluções.



