A mobilização dos produtores rurais do norte gaúcho chegou ao 31º dia nesta sexta‑feira, 13, com foco nos bloqueios parciais da ERS‑153, em Tio Hugo. Desde as primeiras horas da manhã, agricultores de cerca de 20 municípios estacionaram tratores e caminhões às margens da rodovia, interrompendo o tráfego por dez minutos a cada meia hora. O ato faz parte da campanha pela securitização das dívidas rurais acumuladas após sucessivas estiagens que castigaram a safra de verão
Além de Tio Hugo, manifestantes se concentram no trevo da BR‑285, em Lagoa Vermelha, onde exibem faixas e distribuem panfletos, mas sem previsão de bloqueio total da via.
Os produtores que participam da mobilização desde maio destacam que não buscam o perdão das dívidas, mas sim a ampliação dos prazos para pagamento, com taxas de juros mais compatíveis com a realidade do setor, entre 3% e 5%. Sem essas condições, afirmam, será inviável a continuidade da atividade no campo.
Medidas consideradas insuficientes
Em 29 de maio, o Conselho Monetário Nacional prorrogou parcelas de custeio e investimento no âmbito do Plano Safra, permitindo carência de até três anos para operações de custeio e adiamento de um ano em contratos de investimento que vencem em 2025. Embora a decisão alivie o caixa no curto prazo, agricultores alegam que as perdas repetidas tornam as condições ainda inviáveis — argumento que sustenta a continuidade dos atos nas estradas.
Próximos passos
Os organizadores prometem manter a pressão até que o governo federal apresente um projeto de lei para securitizar os débitos, convertendo‑os em longo prazo. Caso não haja resposta, novos bloqueios podem ocorrer na próxima semana em outros pontos da região Norte.



