O Banco Central anunciou ontem (15) o desenvolvimento de uma nova versão do Mecanismo Especial de Devolução (MED), a ser chamado de MED 2.0, capaz de rastrear transferências fraudulentas via Pix por até cinco camadas de contas — na modalidade atual, o sistema limita-se à primeira conta destino
Desde sua criação, o MED respondeu a cerca de 5 milhões de pedidos de devolução, mas apenas 31% foram aceitos. O valor recuperado representa menos de 7% do total lesado — R$ 459 milhões devolvidos de um montante estimado em R$ 6,98 bilhões. A principal razão é que, em 86% dos casos, o dinheiro já havia sido transferido para outra conta antes da intervenção .
Para mudar esse cenário, o BC planeja o lançamento do MED 2.0 no primeiro trimestre de 2026. A nova ferramenta permitirá rastrear o percurso completo do dinheiro roubado, identificando todas as contas que receberam os valores, mesmo quando os fundos são fracionados entre várias contas de “laranjas”. O desafio será integrar mais de 800 instituições financeiras que operam com o Pix
Além disso, o BC está implantando um sistema de autoatendimento: o usuário poderá acionar o MED diretamente pelo aplicativo do banco, sem precisar passar por atendimento humano da instituição financeira, o que ajudará a agilizar as contestações
Em evento da Febraban, o presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, afirmou que o sistema será “simples e intuitivo”, e o prazo para sua implementação pelas instituições financeiras vai até 1º de outubro deste ano
Especialistas acreditam que o MED 2.0 pode aumentar a taxa de devolução para até 80% dos casos contestados, embora alertem que parte dos recursos pode acabar destinada a criptomoedas ou retiradas antes que seja possível rastreá-los
Com a atualização, o Pix se aproxima dos mecanismos de contestação de cartões de crédito, ampliando o escopo de casos passíveis de devolução. No entanto, a devolução em si continua limitada apenas a golpes e fraudes, sem englobar transações provocadas por arrependimentos ou erros de transferência



