Embrapa alerta: aquecimento de até 6 °C ameaça colmeias e segurança alimentar até 2100

Um estudo da Embrapa projeta que, se as emissões de gases de efeito estufa continuarem no ritmo atual, a temperatura média no Brasil pode subir até 6 °C ao longo deste século — um salto capaz de dizimar colmeias de abelhas e comprometer culturas que dependem da polinização. Ondas de calor, secas prolongadas, enchentes e incêndios já vêm afetando a apicultura no país e em outros continentes, com reflexos diretos sobre a produção de mel e o abastecimento de alimentos.

A pesquisadora Fabia Pereira, da Embrapa Meio‑Norte, explica que eventos climáticos extremos se tornaram um “desafio existencial” para as abelhas. No Rio Grande do Sul, por exemplo, as enchentes de 2024 destruíram entre 35 000 e 60 000 colmeias, segundo a Federação Apícola e de Meliponicultura do Estado. Incêndios em biomas como Pantanal, Amazônia e Cerrado, além de queimadas na Austrália, Canadá e Europa, agravam a perda de pasto apícola e expõem os insetos à fumaça tóxica.

As projeções climáticas são preocupantes em todos os biomas: a Amazônia pode enfrentar aumento de até 6 °C e redução de chuvas de até 45 %; no Cerrado, a elevação térmica pode chegar a 5,5 °C, com queda similar nas precipitações. Mesmo o Pampa, no extremo sul, tende a ficar até 3 °C mais quente e até 40 % mais seco.

Diante desse cenário, a Embrapa defende políticas de mitigação e adaptação que envolvam produtores, governos e pesquisadores. Sem medidas rápidas, adverte a entidade, a perda de polinizadores pode colocar em risco a oferta de frutas, legumes, oleaginosas e grãos, elevando custos e reduzindo a disponibilidade de alimentos básicos até o fim do século.

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