Alta de quase 100 % no preço do café deve se prolongar até 2026, dizem especialistas

O preço do café torrado e moído no Brasil disparou 98,4 % em apenas um ano e meio, segundo dados do IPCA, da inflação oficial, apontando 17 altas consecutivas desde janeiro de 2021. Só em maio, o aumento chegou a 4,6 %, refletindo, entre outras coisas, oferta limitada e custos logísticos elevados.

A forte pressão nos preços levou a uma redução de 16 % no consumo de café em abril em comparação ao mesmo mês de 2024, com retração acumulada de 5 % nos quatro primeiros meses do ano, de acordo com dados da Abic (Associação Brasileira da Indústria de Café).

Segundo Vanusia Nogueira, diretora-executiva da Organização Internacional do Café (OIC), a combinação de secas ou chuvas intensas nas principais regiões produtoras, somada a incertezas globais e aumento da demanda em mercados como a China, criou uma “tempestade perfeita” para a crise dos preços . Ela observa que, apesar de eventuais correções pontuais serem possíveis ainda neste ano, a volta a patamares historicamente normais só deve ocorrer em 2026 — se acontecer.

Para amenizar a alta, especialistas apontam que será fundamental uma boa safra no Brasil e no Vietnã, além de melhorias na logística. No entanto, a incorporação de custos estruturais como rastreabilidade, certificações e práticas sustentáveis pode manter os preços elevados, estabelecendo um novo “normal” para o café.

Em maio, o preço médio da saca de 60 kg atingiu R$ 2.382,57, mais que o dobro do valor registrado no ano anterior. Antes da crise, o preço estava em torno de R$ 1.186,17

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