O presidente Luiz Inácio Lula da Silva lançou, nesta terça-feira (1º), o Plano Safra 2025/2026, com volume recorde de R$ 516,2 bilhões para o financiamento da produção agropecuária. Apesar da ampliação dos recursos, o anúncio foi marcado pela alta nas taxas de juros em relação ao ciclo anterior, o que gerou apreensão entre produtores e representantes do setor.
Do total anunciado, R$ 400,5 bilhões serão destinados à agricultura empresarial — um crescimento de 10% em relação ao plano 2024/2025. No entanto, os financiamentos com juros controlados terão elevação nas taxas:
- Para produtores com faturamento de até R$ 500 mil, a taxa subiu de 8% para 10% ao ano;
- Para médios produtores (Pronamp), passou de 8% para 10,5%;
- Grandes produtores enfrentarão taxas de até 12% ao ano, dependendo da linha de crédito.
A justificativa do governo é alinhar os juros com o cenário macroeconômico, diante da elevação do custo do crédito e da meta de equilíbrio fiscal. Ainda assim, o plano manteve foco em práticas sustentáveis, com R$ 108 bilhões reservados ao Programa ABC+, voltado a atividades de baixa emissão de carbono.
O Plano Safra da Agricultura Familiar, lançado anteriormente, contará com R$ 76,9 bilhões, com taxas mais acessíveis, entre 0,5% e 6% ao ano.
Durante a cerimônia no Palácio do Planalto, o presidente Lula e o ministro da Agricultura, Carlos Fávaro, destacaram o compromisso com o crescimento sustentável do setor. O governo também anunciou incentivos a tecnologias, armazenagem, irrigação e uso de bioinsumos.
Apesar do volume recorde de recursos, o aumento nas taxas de juros acende o alerta no campo, especialmente em um momento de margens apertadas e instabilidade climática. Lideranças do agro pedem diálogo e equilíbrio para garantir que os recursos cheguem com efetividade aos produtores.



