Em um movimento estratégico para ampliar sua presença no mercado internacional, o Mercosul concluiu as negociações de um acordo de livre-comércio com a Associação Europeia de Livre Comércio (EFTA) — bloco formado por Suíça, Noruega, Islândia e Liechtenstein. O anúncio ocorreu durante a 66ª Cúpula do Mercosul, realizada em Buenos Aires, e marca um passo importante na agenda de internacionalização das economias sul-americanas.
Com o novo tratado, cerca de 99% das exportações brasileiras à EFTA terão acesso isento de tarifas, abrangendo tanto produtos industriais quanto agrícolas. O pacto cria uma zona de livre comércio entre mercados que, juntos, somam mais de 290 milhões de consumidores e um PIB superior a US$ 4,3 trilhões.
As trocas comerciais entre o Brasil e os países da EFTA já somaram, em 2024, US$ 7,2 bilhões, considerando exportações e importações. A expectativa do governo brasileiro é que, com a entrada em vigor do acordo — prevista para ocorrer após a finalização dos trâmites legais até 2025 — esse fluxo cresça de forma significativa, especialmente com a diversificação dos destinos de exportação.
Diferentemente das negociações ainda emperradas com a União Europeia, o entendimento com a EFTA é visto como mais direto e sem grandes resistências políticas. A conclusão do texto, que será submetido aos respectivos parlamentos, foi celebrada por autoridades brasileiras como um reforço à estratégia de abertura comercial e atração de investimentos.
Segundo o Itamaraty, o tratado eleva a participação brasileira em acordos de livre-comércio para mais de US$ 184 bilhões em corrente de comércio, frente aos US$ 73 bilhões anteriores, ampliando as oportunidades para setores como o agronegócio, indústria e serviços.



