A crescente desconfiança global em relação ao dólar norte-americano tem provocado efeitos significativos no mercado financeiro internacional em 2025. A consequência mais visível é o desempenho histórico da dívida soberana de países em desenvolvimento, cujos títulos vêm registrando os maiores ganhos dos últimos 17 anos.
Até o fim de junho, os papéis de dívida desses países apresentaram valorização de 7,6%, segundo índices de referência do setor, marcando o melhor resultado semestral desde 2009. Esse movimento ocorre em meio a uma conjuntura em que investidores buscam alternativas à moeda dos Estados Unidos, impulsionados por incertezas políticas, riscos fiscais e debates sobre o uso do dólar como principal reserva global.
A aversão ao dólar reflete também a busca por maior diversificação de portfólios, diante das perspectivas de enfraquecimento da economia dos EUA e do crescimento de blocos alternativos de comércio e financiamento, como o grupo dos BRICS. Com isso, ativos de países como Brasil, México, Indonésia e África do Sul passaram a atrair mais capital estrangeiro.
Outro fator que tem contribuído para a valorização das dívidas emergentes é o cenário de queda gradual das taxas de juros globais. Com a expectativa de cortes adicionais por parte de bancos centrais em 2025, o apetite por ativos de maior risco e retorno vem se fortalecendo, beneficiando especialmente os mercados emergentes.
Especialistas alertam, no entanto, que a tendência ainda depende da estabilidade política e fiscal desses países. Apesar do momento favorável, choques externos ou mudanças bruscas na política monetária global podem afetar a atratividade desses títulos.



