Os mercados futuros de milho e soja enfrentaram quedas significativas nesta segunda-feira (7), tanto na Bolsa Brasileira (B3) quanto na Bolsa de Chicago (CBOT), refletindo fatores climáticos, cambiais e políticos que impactam a confiança dos investidores.
Na B3, o milho registrou uma forte baixa, com o contrato para julho fechando a R$ 76,63, marcando uma queda de cerca de 10% em pouco mais de uma semana. Esse movimento acompanha a tendência observada em Chicago, onde o contrato de julho recuou 0,12%, a US$ 4,20 por bushel, e setembro caiu 0,79%, a US$ 4,06 por bushel. A pressão sobre os preços é atribuída à melhora inesperada na qualidade das lavouras americanas, com o Departamento de Agricultura dos EUA elevando de 70% para 73% o índice de lavouras em condições boas a excelentes, o melhor nível para esta época desde 2018.
No mercado interno brasileiro, o cenário também é desafiador. Segundo o Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), os preços do milho estão nos menores patamares do ano em diversas regiões do país, influenciados principalmente pela maior oferta no mercado spot. Os vendedores estão mais flexíveis nas negociações, mesmo com o ritmo de colheita da segunda safra ainda abaixo dos níveis de 2023. A limitação na capacidade de armazenagem e a baixa paridade de exportação intensificam a pressão sobre os preços.
No mercado de soja, os contratos futuros também apresentaram quedas acentuadas. O contrato de agosto, referência para a safra brasileira, recuou 1,81%, fechando a US$ 10,31 por bushel. O vencimento de setembro caiu 2,67%, cotado a US$ 10,13 por bushel. Os derivados da oleaginosa seguiram a tendência negativa: o farelo de soja para agosto recuou 1,87%, cotado a US$ 272,20 por tonelada curta, enquanto o óleo de soja também apresentou queda.
A desvalorização generalizada da soja está relacionada a fatores políticos internacionais, incluindo tensões recentes envolvendo os Estados Unidos e a ausência de anúncios concretos sobre compras do produto por parte da China.
No mercado interno brasileiro, a comercialização da soja segue em ritmo lento. No Rio Grande do Sul, por exemplo, os preços reportados ficaram em R$ 135,00 por saca no porto, com pagamentos programados para o final de julho. No interior, os preços variaram entre R$ 118,00 e R$ 129,00, dependendo da praça e do prazo de pagamento. Em Santa Catarina, a comercialização também avança de forma lenta, com preços no porto de São Francisco cotados a R$ 136,17 por saca.



