Recuperações judiciais no agronegócio crescem 138% em 2024 e atingem recorde histórico

Os pedidos de recuperação judicial no agronegócio brasileiro atingiram um recorde em 2024, com incremento de 138% em relação a 2023, totalizando 1.272 solicitações — índice apontado pela Serasa Experian. Esse crescimento expressivo ocorre em meio a dificuldades financeiras amplificadas por juros elevados, aumento nos custos com insumos e clima adverso.

A maior pressão veio de produtores rurais pessoa física, cujos pedidos quase quadruplicaram — de 127 em 2023 para 566 em 2024, um aumento de cerca de 350%. Entre esses, figuram arrendatários, pequenos, médios e grandes proprietários, cujos números variam, mas refletem fragilidade especialmente entre os menos estruturados.

Produtores pessoa jurídica somaram 409 pedidos — alta de 152,5% — e se destacaram segmentos como soja (222 solicitações), pecuária bovina (75), cereais (49) e café (16). Empresas ligadas ao setor também recorreram à recuperação judicial, com 297 pedidos em 2024, 21% a mais que no ciclo anterior.

Especialistas atribuíram o aumento ao cenário econômico em deterioração: alta dos juros, inflação, câmbio desvalorizado e quebra histórica de safra. Segundo Marcelo Pimenta, head de agronegócio da Serasa, esses fatores comprometeram a saúde financeira dos produtores mais alavancados. Ainda de acordo com o levantamento, embora o salto seja expressivo, o total absoluto é pequeno diante da base de 1,4 milhão de produtores financiados nos últimos anos.

Além dos desafios econômicos, houve aumento de casos relacionados à “advocacia predatória”, em que produtores são incentivados a recorrer judicialmente antes mesmo de esgotar negociações com credores — uma prática apontada por instituições como o Banco do Brasil.

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