Uma carga de 95 toneladas de mel orgânico, produzida no Piauí e com destino aos Estados Unidos, está parada no porto de Pecém, no Ceará, após a decisão do governo americano de aplicar uma tarifa de 50% sobre produtos brasileiros. A medida, que entra em vigor no dia 1º de agosto, levou os compradores a suspenderem os embarques, temendo que a mercadoria chegasse aos EUA já sob a nova alíquota.
O mel retido pertence à Casa Apis (Central de Cooperativas Apícolas do Semiárido Brasileiro). Segundo o presidente da entidade, Sitônio Dantas, cinco contêineres com cerca de 95 toneladas de mel já haviam sido aprovados pela alfândega e aguardam embarque no terminal portuário, sem previsão de envio. O produto percorreu mais de 500 km por caminhão, saindo de Picos (PI) até o porto de São Gonçalo do Amarante (CE).
Com o cancelamento das remessas, os produtores tentam negociar a venda do mel ainda armazenado no terminal. O temor de perda de mercado e prejuízos é crescente, especialmente entre os pequenos cooperados, que dependem da exportação.
Segundo estudo da Fundação Getulio Vargas (FGV), a tarifa de 50% pode provocar uma retração de até 75% nas exportações brasileiras de alimentos aos EUA, que somaram US$ 12,1 bilhões em 2024. O impacto estimado no PIB brasileiro pode chegar a uma queda de 0,41%, enquanto, nos Estados Unidos, a retração seria de 0,08% do PIB e redução de até US$ 18,4 bilhões no consumo.
Produtos como carne, café, suco de laranja e açúcar também estão entre os mais atingidos pela nova taxação, que deve afetar diretamente a competitividade do Brasil no mercado americano.
Diante do cenário, o governo brasileiro estuda medidas de resposta. O Ministério da Agricultura planeja buscar novos mercados e ampliar fronteiras comerciais, enquanto o presidente Luiz Inácio Lula da Silva sinalizou a possibilidade de aplicar a Lei de Reciprocidade Econômica, impondo tarifas semelhantes sobre produtos norte-americanos, caso o impasse não seja resolvido por meio da Organização Mundial do Comércio.



