Exportações do Rio Grande do Sul preocupam setor primário após taxação americana

A decisão do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, de aplicar uma tarifa de 50% sobre produtos brasileiros a partir de 1º de agosto acendeu um alerta entre produtores e exportadores gaúchos. A medida ameaça diretamente setores como o do fumo, carnes e celulose, importantes para a balança comercial do Rio Grande do Sul e sustentação econômica do meio rural.

Segundo dados da Farsul, o estado destina cerca de 5% de seus embarques totais aos Estados Unidos, que, por sua vez, representam aproximadamente 7% das exportações brasileiras. O economista-chefe da entidade, Antônio da Luz, destaca que, com a medida, o país poderá perder espaço no mercado internacional: “Não existe cadeira vazia no comércio global. Se sairmos, outros entram e não teremos para onde mandar essa produção toda”, alertou.

No setor do tabaco, o impacto pode ser ainda mais expressivo. O presidente do SindiTabaco, Valmor Thesing, estima que a tarifa pode afetar 38 mil toneladas produzidas por cerca de 65 mil famílias produtoras. Os Estados Unidos são hoje o terceiro principal destino das exportações brasileiras de fumo, tanto em volume quanto em valor. Embora o setor envie o produto a mais de 110 países, o redirecionamento da produção pode levar a perdas de receita e instabilidade no mercado.

Dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio mostram que, nos seis primeiros meses de 2025, o Brasil exportou 19 mil toneladas de tabaco para os EUA, com receita de US$ 129 milhões. Em 2024, o volume exportado foi de 39,8 mil toneladas, gerando US$ 255 milhões, o que representou 9% do total embarcado pelo setor no ano passado.

O Rio Grande do Sul lidera as exportações agropecuárias para os Estados Unidos. Em 2024, o estado respondeu por 41,9% dos embarques brasileiros ao mercado norte-americano. No primeiro trimestre de 2025, essa participação subiu para 44,3%.

A medida anunciada por Trump tem motivação política, mas seus efeitos recaem diretamente sobre a atividade econômica no campo, especialmente no Sul do Brasil. O setor produtivo aguarda, agora, uma resposta firme do governo federal para preservar mercados estratégicos e minimizar prejuízos ao agronegócio gaúcho.

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