A Conab anunciou a oferta de R$ 150 milhões em contratos de opção de venda de arroz, com o objetivo de adquirir até 110 mil toneladas do grão produzido no Rio Grande do Sul. A iniciativa surge como reação à recente queda nos preços do arroz, que tem preocupado pequenos e médios produtores.
Segundo o presidente da estatal, Edegar Pretto, a medida oferece segurança ao agricultor: ao fechar o contrato, o produtor garante um preço mínimo pré-definido e pode optar por não vender se preferir aguardar condições mais vantajosas no mercado. As operações contratadas terão vencimento a partir de agosto, com a saca de 50 kg cotada entre R$ 73 (agosto) e R$ 73,95 (outubro), valor que representa um acréscimo de cerca de 15% sobre o preço mínimo atual.
Os produtores, no entanto, avaliam a iniciativa com cautela. O presidente da Federarroz, Denis Dias Nunes, estima que o estoque nacional pode ultrapassar os 2 milhões de toneladas e admite que alguns agricultores devem reduzir a área plantada, mesmo reconhecendo a necessidade do programa como instrumento de apoio.
Representantes da indústria também manifestam preocupação. A diretora-executiva da Abiarroz, Andressa Silva, destaca que os Estados Unidos são o terceiro maior mercado para o arroz beneficiado brasileiro. Interrupções nas exportações para aquele país — agravadas pelo recente imposto de 50% — podem ter impacto significativo sobre receitas e cadeias produtivas consolidadas.
A estratégia da Conab visa também avançar na formação de um estoque público robusto, com meta de atingir 500 mil toneladas, conforme planejava na edição anterior do programa. Ainda não há definição sobre a continuidade do mecanismo além do volume anunciado.



