Retaliações brasileiras aos EUA devem atingir setores estratégicos em Passo Fundo

A Lei da Reciprocidade Econômica (15.122/2025), regulamentada na última segunda-feira (14),  é o novo escudo do Brasil contra barreiras comerciais injustas dos demais países. Com os EUA impondo tarifas de 50% aos produtos brasileiros a partir de 1º de agosto de 2025, a lei permite ao governo realizar retaliações com os produtos americanos

Conforme o economista, professor da Universidade de Passo Fundo, Julcemar Bruno Zilli, para a região de Passo Fundo/RS, onde pulsa o agronegócio e a indústria, os efeitos serão diretos.  setores como carnes, grãos e máquinas agrícolas, pilares da economia local e regional, enfrentarão potencial queda nas exportações para os EUA. Produtos perecíveis, como as carnes em produção/trânsito, já estão sob risco de perdas significativas. Empresas e empregos que dependem dessas cadeias sentirão o impacto primeiro, tendendo a apresentar redução nos empregos nas empresas exportadoras da região.

A população regional também pode sofrer efeitos colaterais, pois insumos farmacêuticos e peças para maquinários agrícolas, importados dos EUA, ficarão mais caros. Isso pressionará custos em saúde e produção, refletindo no bolso do consumidor e reduzindo o poder aquisitivo das pessoas.

Para o economista, apesar dos desafios, a lei abre janelas. Se o Brasil adotar retaliações (como taxar produtos americanos ou suspender patentes), as indústrias locais de autopeças e fármacos podem ganhar espaço e desenvolver-se no médio e longo prazo. Mas o governo tem reforçado que as contramedidas serão seletivas e temporárias, priorizando negociações até o fim de julho deste ano. Se as tratativas falharem, agosto trará um novo cenário. Passo Fundo precisará agilizar parcerias com outros mercados (como Ásia e UE) e diversificar sua base produtiva.

Segundo Zilli, embora a lei autorize retaliações imediatas após 1º de agosto, é improvável que o Brasil adote medidas generalizadas contra os EUA. O governo já sinalizou que priorizará ações especificas, como taxar produtos específicos (fármacos ou tecnologia agrícola) ou suspender patentes setoriais, para evitar danos à população brasileira. Em Passo Fundo, onde empresas e trabalhadores dependem de cadeias globais, uma guerra comercial total seria negativa. A lei existe como dissuasão, não como declaração de guerra. Seu verdadeiro objetivo é forçar a mesa de negociação e é isso que os representantes brasileiros precisam fazer com o governo americano.

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